Lavoura quer garantias para carne "tradicional"


 

Rui Leite Melo   Regional   4 de Out de 2007, 21:13

A actual aposta e prioridade dada à divulgação e comercialização da carne com classificação IGP (Identificação Geográfica Protegida) não pode colocar em causa a promoção da restante oferta regional, tanto que a carne IGP representa apenas cerca de 1 por cento da quantidade produzida na Região.

É com esta preocupação que as principais estruturas representativas dos produtores se apresentam no III Congresso Regional da Carne, que ontem começou na ilha de Santa Maria, encontro que conta com a presença do secretário regional da Agricultura e Florestas.

Ouvido pela Açores/TSF, Virgílio Oliveira, da Federação Agrícola dos Açores, salienta a questão, elogiando o facto do processo da carne classificada IGP ter finalmente chegado ao patamar da comercialização efectiva, isto após longos anos de impasse no projecto.

Neste contexto diz mesmo não ter dúvidas de que se trata de uma boa oportunidade para os respectivos produtores, isto por lhes trazer mais-valias, pelo que "há que potenciar este início de processo comercial como há também que saber ver aqui as oportunidades futuras deste negócio e tentar desta forma fazer com que mais pessoas adiram a ele".

Neste âmbito, Virgílio Oliveira fala das mais-valias para as organizações de produtores que façam parte integrante do negócio e que daí tirem dividendos. Sem nunca pôr em causa a aposta na carne IGP, que considera ser um produto paralelo à carne corrente, Virgílio Oliveira defende que "está na hora de, uma vez por todas, fazer algo pela outra carne". De acordo com aquele responsável pelo sector, para a carne corrente e indiferenciada há que ter espírito comercial que agarre a mais-valia que inclusive se poderá retirar da carne classificada, que terá de vir da respectiva industrialização. "Há que analisar as oportunidades de negócio, dar continuidade a elas e de preferência arranjar novos mercados para essa carne franqueada", defende Virgílio Oliveira, para quem tal objectivo terá de partir das organizações de produtores, de parcerias entre estes e os privados da indústria já instalada e daquela que pode vir cá instalar-se. "A carne indiferenciada é substancialmente um subproduto das indústrias de produção leiteira" e há que orientar o sector "numa filosofia nova, virada para o mercado e para uma linguagem nova de abordagem dos consumidores", conclui.

Tais preocupações e objectivos são genericamente os mesmos da Associação Agrícola de São Miguel. Para o seu responsável máximo, Jorge Rita, bastante crítico quanto ao valor do Congresso, onde conforme disse à Açores/TSF "se debatem muitas coisas mas em concreto não sai nada", a promoção da carne IGP deverá servir também de alavanca para a comercialização da restante carne, salientando que "é preciso não esquecer que neste momento a carne IGP representa mais ou menos um por cento do total da carne produzida na Região". Para o presidente da Associação Agrícola de São Miguel, em causa não está a importância da carne IGP, mas "o que agora é preciso é não descurar o restante". A solução apresentada é a de que "é preciso de uma vez por todas garantir como sendo também carne de origem toda a restante carne produzida nos Açores".

Para Jorge Rita, o Congresso "pode ser uma alavanca para puxar a restante carne, que como indiferenciada não tem muita aceitação no mercado.", acrescentou o responsável.

Ciente dos novos desafios que se colocam ao sector da carne na Região, o secretário regional da Agricultura e Florestas diz depositar grandes esperanças na reunião de Santa Maria. De acordo com Noé Rodrigues, "este Congresso é uma boa oportunidade para se fazer uma análise da evolução recente do sector na Região, para se identificarem as novas oportunidades para a afirmação do sector ao nível de mercado e também, talvez a parte mais importante, para projectar a produção de carne dos Açores com novos processos ao nível organizacional, ao nível das parcerias entre produtores e com quem comercializa, num espírito de cadeia".

Em Santa Maria estão desde ontem 400 agricultores, técnicos e especialistas que ao longo de quatro dias debaterão temas relacionados com a produção, transformação e comercialização da carne de bovino nos Açores.

O III Congresso Regional da Carne dos Açores é uma organização conjunta do Governo dos Açores e da Associação Agrícola de Santa Maria. Para o responsável pela pasta da Agricultura do Executivo Regional, "os temas em debate mais a qualidade dos oradores convidados, e principalmente a participação dos nossos agricultores e dirigentes associativos, garantirão ao Congresso uma qualidade de sublinhar e irão trazer à Região novos conhecimentos, pelo que espero que seja uma excelente oportunidade para se aprofundar o presente e o futuro da produção da carne nos Açores e a sua valorização

.||
Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
Consulte os termos e condições de utilização e a política de privacidade do site do Açoriano Oriental.