Ucrânia/1 ano

Kiev negoceia criação de plataformas logísticas em África

A Ucrânia está a negociar acordos para a criação de plataformas logísticas de alimentos em países africanos, revelou recentemente o governo ucraniano, em mais uma iniciativa para colocar a relação de Kiev com África num novo nível.



Esta é mais uma das iniciativas desenvolvidas nos últimos meses pela Ucrânia, que está a usar o seu excedente alimentar como instrumento humanitário e diplomático para aumentar a sua ação em África e combater a significativa influência da Rússia na região.

“A nossa política externa deve atingir um novo nível com os parceiros africanos", disse em meados de janeiro o Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, numa mensagem de vídeo, replicada pela agência de notícias dopaís, a Interfax.

Sublinhando a importância da iniciativa da Ucrânia de criar centros logísticos de alimentares em África, Zelensky referiu que os países africanos “já sentiram que a segurança de diferentes nações depende diretamente das exportações alimentares ucranianas”.

“Queremos consolidar isso ao nível de instituições específicas, com projetos específicos” que deem garantias de estabilidade alimentar, e esses projetos “serão um dos novos alicerces das relações entre a Ucrânia e os Estados do continente africano”, declarou o Presidente ucraniano.

As declarações de Zelensky coincidiram com a visita de uma delegação do seu governo ao Senegal, ao Gana, ao Quénia e à Nigéria, em janeiro.

O ministro ucraniano da Política Agrária e Alimentação, Mykola Solskyi, que integrou a delegação, fez recentemente um balaço da visita em que garantiu que "a atenção da Ucrânia a África é hoje mais intensa do que alguma vez foi".

“Isto vai mudar a natureza da relação com estes países”, onde a Rússia e também a China estão muito presentes, assegurou o ministro ucraniano nesse encontro com a imprensa internacional, realçando que os produtores ucranianos “podem vender melhor e eles (países africanos) comprar a preço mais baixo”.

Em Abuja, Mykola Solskyi reuniu-se com o Ministro dos Negócios Estrangeiros da Nigéria, Geoffrey Onyeama, e o seu homólogo da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Mohammad Abubakar, e os dois países decidiram estabelecer uma parceria comercial, iniciando posteriormente um centro logístico de cereais que pretende servir toda a África, tendo a Nigéria como plataforma de lançamento.

Com o Senegal foi assinado um memorando de entendimento e com o Gana um protocolo, tendo ficado nesses países técnicos ucranianos para continuarem a trabalhar para depois “haver condições de concretizar” projetos, segundo o ministro Mykola Solskyi.

“A meio de primavera estaremos em condições de dizer mais sobre estes projetos”, prometeu o ministro ucraniano.

Esta iniciativa soma-se a outras já em curso, tendo sido a primeira o programa "Grain from Ukraine", que consiste na doação de cereais para aliviar a fome em países vulneráveis, nomeadamente países africanos, anunciada pelo Presidente ucraniano em novembro, na mesma ocasião em que avançou que ao longo deste ano a Ucrânia pretende abrir mais embaixadas em países africanos.

A Ucrânia e a Rússia são grandes produtores e exportadores de cereais, sendo responsáveis, por exemplo, pelo fornecimento de cerca de 44% do trigo consumido em África, de acordo com as Nações Unidas.

De acordo com o Banco Africano de Desenvolvimento, os preços do trigo no continente chegaram a aumentar 60% devido à escassez causada pelo bloqueio, pela Rússia, dos portos ucranianos, que durou cinco meses, desde o inicio da guerra a 24 de fevereiro de 2022, até que um acordo, que entrou em vigor em agosto de 2022, fez cair os preços no mercado internacional.



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