Investigadores portugueses com novos dados sobre bactéria que protege do dengue

Investigadores portugueses com novos dados sobre bactéria que protege do dengue

 

Lusa/AO online   Ciência   16 de Dez de 2013, 16:24

Uma equipa de investigadores portugueses descobriu que uma bactéria que protege insetos de doenças pode ter muitas variedades, uma "variabilidade genética" que pode ser utilizada para controlar doenças transmitidas por mosquitos, como dengue e malária.

Luís Teixeira, investigador principal do Instituto Gulbenkian de Ciência, explicou que a equipa que dirige estudou a interação da bactéria com o seu hospedeiro natural (insetos, no caso concreto a mosca da fruta) e concluiu que há diversos tipos de bactérias, que protegem o hospedeiro em maior ou menor grau.

A equipa conclui ainda que as bactérias que mais protegem são também as que possivelmente mais rapidamente “matam” o hospedeiro. A descoberta, explicou o investigador, pode levar a escolher a “bactéria ótima” para ajudar a combater doenças como o dengue mas também a malária ou outras transmitidas pelo mosquito.

O trabalho, publicado no último número da revista científica “PLOS Genetics”, foi hoje dado a conhecer pelo Instituto Gulbenkian de Ciência.

De acordo com um comunicado do Instituto, tudo gira à volta de uma bactéria que reside naturalmente em 70 por cento dos insetos (nunca em mamíferos, segundo Luís Teixeira), chamada “Wolbachia”.

Há cinco anos, a equipa de Luís Teixeira e outras já tinham descoberto que a “Wolbachia” protege os hospedeiros de infeções virais. Protegendo por exemplo um mosquito de vírus como o dengue, esse mosquito ao picar um ser humano também tem menos probabilidade de o infetar.

Desde o século passado que se recolhe e analisam diferentes tipos de moscas da fruta, permitindo identificar cinco estirpes de “Wolbachia”, que foram estudados pelos investigadores portugueses. A conclusão foi que algumas variantes da bactéria protegem melhor as moscas das infeções virais e que, precisamente essas, faziam com que as moscas morressem mais cedo. Ao contrário, as variantes menos protetoras também eram mais benignas para a mosca.

“Estes resultados ajudam a compreender a evolução da ´Wolbachia´ na natureza e abrem caminho para a identificação das melhores estirpes a serem utilizadas no biocontrolo de doenças transmitidas por mosquitos”, diz o Instituto.

À Lusa, o investigador Luís Teixeira explicou que está em investigação a forma de introduzir na natureza os mosquitos infetados com Wolbachia. “A bactéria tem a particularidade de manipular o organismo que infeta, pelo que pode espalhar-se pela população (de mosquitos por exemplo)”, disse.

Conhecer melhor como a bactéria evolui e disseminando “a bactéria ótima” pode-se combater o dengue e outras doenças, assegurou Luís Teixeira.

Cerca de 2,5 mil milhões de pessoas vivem em 100 países onde o dengue é endémico. Mais de 50 milhões de pessoas são infetadas anualmente e 22 mil morrem, a maior parte crianças, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Quanto à malária, outra doença transmitida pela picada do mosquito, e segundo o último relatório da OMS, publicado na semana passada, estimam-se em 207 milhões os casos no ano passado, que provocaram 627 mil mortes. Continuam em risco de contrair a doença 3,4 mil milhões de pessoas.


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