Indisciplina de alunos cria problemas a professores

Indisciplina de alunos cria problemas a professores

 

Paulo Faustino   Regional   22 de Nov de 2007, 10:54

Presidentes dos conselhos executivos consideram haver alunos que revelam má educação e falta de respeito para com os professores. Ambientes sociais complicados acabam por afectar o meio escolar.
Os alunos açorianos com comportamentos desviantes revelam sobretudo a sua faceta violenta para com os seus pares e de indisciplina para com os professores. Se a expressão da sua violência (física e verbal) decorre de relações conflituosas que têm entre si na hora do recreio, já a indisciplina está também associada à atitude rebelde que alguns deles tomam com os professores, na própria sala de aula. Esta é a conclusão a que se chega depois de ouvir alguns conselhos executivos de escolas com várias centenas de alunos, nalguns casos situadas em meios socialmente problemáticos da ilha de São Miguel. As crianças oriundas desses meios, com famílias desestruturadas e na fase de transição do 1º para o 2º e 3º ciclos (a partir dos 10 anos de idade), apresentam uma maior propensão para infringir as regras da boa convivência. Tanto podem agredir e oprimir colegas de turmas e de escola (o denominado bullying), como podem proferir palavrões, serem desobedientes e mal educados diante de professores (sobretudo estreantes) e auxiliares, desrespeitando a sua autoridade. Trata-se de uma minoria que pratica actos com os quais nem todos os profissionais sabem lidar e que acabam, em boa parte das vezes, diluidos no quotidiano escolar. Mas, de vez em quando, atendendo à sua gravidade, são denunciados pelos docentes aos conselhos executivos das escolas e dão origem à aplicação de medidas disciplinares, previstas, de resto, pelo novo Estatuto do Aluno. Estas medidas são ou preventivas e de integração ou sancionatórias, neste caso mais pesadas, com a possibilidade dos jovens serem repreendidos, transferidos ou mesmo expulsos da escola. Estas penalizações implementam-se quando o aluno responde “torto” ao professor e não obedece às suas orientações. Quando, por exemplo, é mandado para fora da aula e recusa sair, ou não faz o trabalho conforme lhe é pedido.
A Directora Regional da Educação (DRE) diz que nos Açores “não há casos de violência, nem de indisciplina grave”. Isabel Rodrigues admite a existência de, em média, um caso alvo de procedimento disciplinar registado pela tutela, mas exclui o cenário de agressões perpetradas por alunos a professores. A questão de fundo, salienta, é que “há crianças que não trazem para a escola regras” que deviam ser aprendidas em casa.
Carlos Veloso, presidente do Conselho Executivo da Escola Básica 2,3 Roberto Ivens, em Ponta Delgada, acha o mesmo: a raíz do problema reside “na falta de educação e perda de respeito” que demonstram os jovens de hoje. A que se junta, na sua opinião, a necessidade de ser “repensado” o procedimento disciplinar.
A Escola Básica Integrada Canto da Maia, também em Ponta Delgada, melhorou a sua situação relativamente a anos anteriores, mas no decurso deste período lectivo já teve de expulsar o mesmo aluno duas vezes e remeter o seu processo para a alçada judicial. Em 2006/07 houve dois ou três casos de expulsões, um recurso disciplinar, segundo a sua vice-presidente, Elizabete Barbosa, utilizado apenas em circunstâncias extremas.
Para o responsável pela Escola Básica Integrada de Rabo de Peixe, o meio social em que a instituição de ensino se insere é importante nos comportamentos desviantes observados no estabelecimento de ensino. “A escola é o reflexo da sociedade e há problemas à volta da escola que mereciam ser melhor fiscalizados”, alerta Noraldino Quaresma. Durante o dia, o que se observa é a concentrações de jovens em torno do edifício, alguns dos quais à espera do melhor momento para invadir e “perturbar” o funcionamento da escola; à noite, a concentração alimenta as suspeitas de consumo de droga.
A vice-presidente da Escola Básica João José do Amaral, Liliana Pinheiro, confirma igualmente a ocorrência de comportamentos “menos correctos” por parte dos alunos, com o meio social a influenciar o meio escolar.
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