Direitos Humanos

Igreja Católica renova denúncias de trabalho escravo no Brasil


 

Lusa/AOonline   Internacional   17 de Nov de 2008, 17:32

A Igreja Católica brasileira renovou denúncias de trabalho escravo na indústria de cana-de-açúcar e etanol do país, momentos antes do início em São Paulo de uma conferência sobre biocombustíveis promovida pelo Governo de Lula da Silva.
A Pastoral da Terra da Igreja Católica Brasileira, que se dedica à defesa das famílias camponesas, apresentou dados do Grupo Móvel de Fiscalização do Ministério do Trabalho, segundo os quais, entre Janeiro de 2003 e Outubro de 2008, foram resgatados dos canaviais de Goiás, São Paulo, Alagoas, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Ceará, Minas Gerais e Pará 6.779 trabalhadores.

    Desde 2003, o Grupo Móvel de Fiscalização do Ministério do Trabalho libertou 32.500 escravos modernos.

    As denúncias da Pastoral da Terra, que surgem no dia em que começa em S. Paulo uma conferência internacional subordinada ao tema "biocombustíveis como vectores de desenvolvimento sustentável", foram negadas pelo executivo de Lula da Silva.

    O subsecretário-geral de Energia e Alta Tecnologia do Itamaraty, André Amado, que coordena a conferência, nega a existência de trabalho escravo nas plantações de cana-de-açúcar, adiantando que as situações detectadas são "residuais".

    "Penso que simplesmente querem distorcer a realidade. Não é uma acusação que se baseie em factos", disse André Amado aos jornalistas.

    A legislação brasileira considera "equivalente a escravatura" o trabalho em condições precárias e insalubres de alojamento, por pessoas famintas obrigadas a trabalhar para pagar dívidas de transporte e comida contraídas junto dos próprios empregadores.

    Entre 2003 e 2006 no sector da cana-de-açúcar foram encontrados 10 por cento do total de trabalhadores escravos, percentagem que subiu até aos 52 por cento nos primeiros meses deste ano, quando foram encontrados 2.114 trabalhadores nestas condições nas plantações, destacou a Pastoral da Terra.

    A existência destas práticas é igualmente negada pelos empresários que defendem o papel do etanol como sector que gera empregos.

    De acordo com a Pastoral, os trabalhadores são transportados e alojados "pior que animais", pressionados pelo pagamento por produção e obrigados a trabalhar até à exaustão num regime que "já provocou várias mortes".

    "Sem ter em conta este custo, não é possível dissertar sobre as vantagens comparativas do açúcar e do etanol brasileiro no mercado global", assinalou a Pastoral.

    A Conferência Internacional sobre Biocombustíveis reúne em São Paulo, de 17 a 21 de Novembro, especialistas e políticos representantes de vários países.

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