Acidente aéreo

Ibéria não distribui jornais de hoje aos passageiros


 

Lusa/AO online   Internacional   21 de Ago de 2008, 11:59

A companhia aérea espanhola Ibéria decidiu não distribuir qualquer jornal aos seus passageiros, em sinal de respeito às vítimas do acidente de quarta-feira e devido ao amplo destaque que este merece na imprensa espanhola.
    A decisão foi tomada porque a maioria dos jornais dedica manchetes e várias páginas à cobertura do acidente com o avião da Spanair que causou 153 mortos e que se tornou num dos maiores acidentes da história da aviação espanhola.

    Quando ocorrem acidentes de aviação noutros países, a Ibéria chega a tapar a página dos jornais com as respectivas notícias que distribui aos seus passageiros.

    No entanto, neste caso o tema merece ampla cobertura nos jornais, que em alguns casos chega a 15 páginas, o que levou a Ibéria a decidir não os distribuir.

    O desastre que envolveu o voo da Spanair de Madrid com destino às Canárias é o tema que domina tanto as manchetes como os editoriais de praticamente todos os jornais, com o ABC a descrever na primeira página a “Catástrofe em Barajas” e a sublinhar em editorial que “Espanha está de luto”.

    “Neste momento, a prioridade deve ser a atenção material e psicológica às famílias das vítimas que devem receber o calor humano da sociedade espanhola”, escreve o jornal.

    O ABC defende ainda que “é necessário determinar por completo as causas do acidente, evitando qualquer avaliação precipitada”.

    No caso do El Mundo, o título da primeira página recorda que “a crise da Spanair desemboca numa tragédia com 153 mortos”, numa referência aos problemas da empresa que deverá despedir, até final do ano, cerca de 1.200 trabalhadores.

    “O meu sobrinho de seis anos salvou-se. Sobre a sua irmã, que ia sentada ao seu lado, não sabemos nada”, destaca um dos títulos do El Mundo, recordando a dor de familiares das vítimas agora envolvidos no moroso e doloroso processo de identificação.

    No editorial, o El Mundo questiona se o acidente se tratou de uma “fatídica coincidência ou negligência criminal”, sendo “insprescincivel aclarar se a empresa estava a cumprir estritamente os protocolos de segurança necessários” ou se “devido às dificuldades estava a fragilizar a manutenção” dos seus aparelhos.

    O jornal quer ainda que se determine se “o conflito laboral na empresa teve algo que ver com as circunstâncias que rodearam o acidente”.

    Na capa, o El Pais recorda que 153 morreram na queda do avião, no que classifica como “A tragédia de Barajas”, referindo que Espanha voltou a ser notícia no mundo.

    “É obrigatório realizar uma investigação profunda e facilitar informação rapidamente sobre os motivos desta manobra falhada - o voo saiu com atraso por um problema técnico - e o que se fez para descartar a avaria”, escreve.

    O jornal Publico alude ao “inferno em Barajas” referindo que ainda subsistem “demasiados pontos obscuros em torno ao acidente que exigem agora um imediato e total esclarecimento”.

    “Poucas horas antes do acidente os pilotos lançaram acusações muito graves contra a direcção. Dois aparelhos do mesmo modelo sofreram incidências técnicas nas últimas semanas”, explica.

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