Governo congratula-se com resultados na obesidade infantil, mas alerta para ameaças


 

Lusa/AO Online   Regional   10 de Jul de 2019, 13:16

A secretária de Estado da Saúde congratulou-se com a redução da prevalência do excesso de peso infantil em Portugal, mas avisou que é preciso olhar para as ameaças e não “descansar sobre os louros”.

“São boas notícias, mas é preciso olhar para ameaças como as assimetrias regionais e o aumento da prevalência com a idade, por exemplo. Temos excelentes resultados, mas é preciso não descansar sobre os louros”, disse Raquel Duarte.

A governante falava a propósito dos dados do COSI Portugal 2019, o sistema de vigilância nutricional das crianças em idade escolar (dos seis aos oito anos), que indicam uma redução consistente na última década da prevalência do excesso de peso e de obesidade infantil em Portugal.

Raquel Duarte chamou ainda a atenção para os últimos dados relativos aos hábitos alimentares em Portugal, que indicam que 40% dos adolescentes bebe refrigerantes diariamente, mais de metade tem um consumo de hortofrutícolas abaixo do recomendável e mais de 20% consome açúcar acima dos níveis recomendados.

“Não basta a literacia. É preciso trabalhar em conjunto, seja com os municípios, para a criação de parques para as crianças brincarem na rua, seja com as escolas, na promoção da atividade física”, acrescentou.

Segundo os dados hoje divulgados, entre 2008 e 2019, caiu de 37,9% para 29,6% a prevalência de excesso peso infantil e de 15,3% para 12,0% a de obesidade nas crianças em Portugal, um valor que fez o país melhorar na tabela dos estados europeus que participam no ‘Childhood Obesity Surveillance Initiative’ (COSI) da OMS/Europa.

De acordo com o COSI Portugal 2019, coordenado pelo Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge, a prevalência da obesidade infantil aumentou com a idade, com 15,3% das crianças de oito anos obesas, incluindo 5,4% com obesidade severa, um valor que é de 10,8% nas crianças de seis anos (2,7% obesidade severa).

Por regiões, os Açores são a região com maior prevalência de excesso de peso infantil, com uma em cada três crianças com peso a mais, apesar de terem sido a região que mais reduziu este valor desde a anterior recolha de dados, que avaliou 7.210 crianças de 228 escolas de Portugal continental, Açores e Madeira.

Presente na apresentação destes dados, que decorreu no Instituto Ricardo Jorge, em Lisboa, a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, sublinhou os bons resultados obtidos nesta área, lembrando que permitem atingir antes da data a meta do Plano Nacional de Saúde nesta matéria.

“A DGS está fortemente empenhada nesta matéria e duas das prioridades são a atividade física e a alimentação saudável”, afirmou Graça Freitas, que destacou a colaboração entre entidades para a realização do COSI Portugal 2019, lembrando que “os bons resultados nunca podem ser dados como adquiridos em nenhuma área”.

“Temos de continuar a trabalhar para manter esta onda de mudança”, sublinhou.

João Breda, da Organização Mundial da Saúde/Europa, destacou a melhoria nos resultados de Portugal, que de um segundo lugar (no primeiro COSI, em 2008) na lista de países com maior prevalência de excesso de peso infantil passou para meio da tabela.

“Mas é preciso não embandeirar em arco e olhar para além das médias. Há uma dinâmica relacionada com o estrato social, com as diferenças entre géneros [rapazes e raparigas] que é preciso ter em conta”, afirmou o especialista da OMS.

Lembrando que, nesta área, Portugal “foi capaz de tomar uma ação coordenada que levaram a estes resultados”, João Breda sublinhou que “não há medidas que, por si só, resolvam um problema tão complexo”.

“Se apenas continuarmos como estamos hoje, as metas de 2030 quase não serão atingidas”, afirmou, referindo-se às metas de redução de sal na alimentação, do tabaco e do álcool.

“É preciso arregaçar as mangas e fazer”, disse o responsável da OMS, lembrando, por exemplo, ameaças como o marketing digital na área da alimentação infantil, que é “difícil de monitorizar e de controlar”.



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