Governo açoriano quer reduzir dívida Saúde com reforço de verbas e "combate ao desperdício"

Governo açoriano quer reduzir dívida Saúde com reforço de verbas e "combate ao desperdício"

 

Lusa/AO online   Regional   21 de Nov de 2012, 07:00

O secretário regional da Saúde, Luís Cabral, anunciou hoje que o Governo regional pretende reduzir a dívida do setor através de um reforço de verbas e do "combate ao desperdício" no Serviço Regional de Saúde.

O governante, que apresentou na Assembleia Legislativa dos Açores, na cidade da Horta, as linhas gerais do seu departamento para os próximos quatro anos, no âmbito do debate do Programa do Governo, entende mesmo que é possível alcançar "a sustentabilidade" do setor.

"O programa que vamos aqui debater tem como principal objetivo a sustentabilidade da saúde", reforçou Luís Cabral, adiantando que, para o conseguir, será necessário "reforçar as verbas", de modo a permitir o "equilíbrio na exploração" das unidades de saúde.

Mas, no seu entender, mais importante do que reforçar as verbas, é promover uma utilização racional dos dinheiros públicos, nomeadamente através do "combate ao desperdício", da "redução de custos operacionais", da "aquisição centralizada" e da redução do "trabalho extraordinário".

Para o novo titular da pasta da Saúde, é também necessário aumentar os níveis de produtividade, garantir o "cumprimento de horários de todos os profissionais" e aplicar incentivos remuneratórios indexados à prestação de cuidados.

Luís Cabral anunciou também uma série de medidas que pretende implementar no setor, no sentido de melhorar a acessibilidade dos doentes aos cuidados de saúde.

A realização de auditorias clínicas por especialidade, a criação de uma carteira de serviços nos três hospitais para evitar a duplicação de investimento e o envio de doentes para fora da Região, são algumas das soluções apresentadas.

Outra das metas definidas por Luís Cabral passa por aproximar os serviços das pessoas e ajustar as listas dos médicos de família aos agregados familiares, de forma que, "no final da legislatura, todos os açorianos tenham um médico de família".

Com o objetivo de reduzir as listas de espera e diminuir os custos inerentes ao internamento hospitalar, o Governo açoriano pretende também "aumentar as cirurgias de ambulatório, atingindo pelo menos 50% das cirurgias convencionais".

Apesar das várias medidas propostas pelo novo titular da pasta da Saúde, os partidos da oposição mostraram-se pouco otimistas em relação ao resultado que elas poderão alcançar.

O deputado do PSD, Luís Maurício, lembrou as dívidas que os três hospitais da Região tinham a 31 de dezembro de 2011, para concluir que dificilmente o Governo conseguirá pagar o passivo e manter os seus compromissos para com os fornecedores.

Também Artur Lima, do CDS/PP e Zuraida Soares, do Bloco de Esquerda, manifestaram-se pouco crentes nas soluções avançadas por Luís Cabral, questionando-o, por exemplo, se vai pagar atempadamente aos fornecedores e como fará para que cada açoriano tenha médico de família.

Luís Cabral recordou que o financiamento da Saúde "não é um problema exclusivo dos Açores" e que bastaria que os serviços nacionais da ADSE "pagassem o que devem à Região", para que o SRS pudesse saldar os seus compromissos com os fornecedores.

Na sua opinião, o SRS deve ser adequado às necessidades da Região e ser "complementado" por um Serviço Nacional de Saúde sempre que necessário.


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