Queda do Muro de Berlim

Galeria de "pedras" de dominó atrai dezenas de milhares de pessoas


 

Lusa/AO Online   Internacional   8 de Nov de 2009, 10:57

Dezenas de milhares de pessoas acorreram já à Porta de Brandeburgo para ver o gigantesco dominó com mil “pedras“ que serão simbolicamente derrubadas na segunda-feira para evocar a queda do Muro de Berlim, há 20 anos.

Uma das mil “pedras” do dominó, que ocupam uma extensão de 1,5 quilómetros, ao longo do trajecto onde passava o Muro, no centro histórico de Berlim, foi concebida pelos alunos da Escola Luso-Alemã de Berlim, e será derrubada na segunda-feira pelo presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso.

A chanceler Angela Merkel, anfitriã dos festejos, que abrem com um concerto ao ar livre da orquestra sinfónica da Ópera Nacional, dirigida pelo maestro Daniel Barenboim, recebe hoje o ex-presidente da União Soviética, Mikhail Gorbatchov.

Ponto alto das festividades da queda do Muro, a 09 de Novembro de 1989, há duas décadas, é a Festa da Liberdade, em que além de Merkel participam, nomeadamente, os presidentes da França, Nicolas Sarkozy, e da Rússia, Dimitri Medvedev, a secretária de Estado norte-americana Hillary Clinton e o primeiro-ministro britânico Gordon Brown.

O primeiro-ministro português José Sócrates, que chega na segunda-feira à tarde a Berlim, assistirá também à cerimónia, bem como numerosos outros Chefes de Estado e de governo dos países da União Europeia.

Na sua habitual mensagem semanal por vídeo, Angela Merkel considerou a queda do Muro de Berlim “o dia mais feliz” da história recente da Alemanha.

Na declaração, a chefe do governo enaltece também o papel dos dissidentes e das igrejas na Alemanha de Leste, “que através da sua corajosa acção em prol da liberdade e da democracia deram um contributo decisivo para a abertura do Muro”, disse.

Por seu turno, o burgometre de Berlim, Klaus Wowereit, declarou a capital alemã “um endereço prioritário para todos os que queriam viver o sonho da liberdade”.

Mais de um milhão de turistas de todo o mundo afluíram este fim-de-semana a Berlim para ver de perto os festejos da queda do Muro, os hotéis da cidade estão cheios.

O grande fogo de artifício que encerrará as comemorações, na segunda-feira à noite promete fazer esquecer o frio que se faz sentir.

“Não julguei que o muro das pedras de dominó fosse tão grande”, disse à Lusa uma turista de Munique que veio passar o fim-de-semana com a família a Berlim.

As “pedras” de esferovite têm 2,5 metros de altura, pesam cerca de 20 quilos cada uma e a primeira será derrubada pelo ex-presidente da Polónia, Lech Walesa, e pelo ex-chefe de governo da Hungria, Niklos Nemeth, dois dos protagonistas principais da viragem democrática no Bloco Leste, ainda antes da queda do Muro de Berlim.

O lema da “pedra” construída pelos alunos da escola Luso-Alemã é “Contra os Muros na Cabeça”, e referem-se também a várias palavras que os jovens querem ver extintas, como “racismo”, “ódio”, “discriminação”, “arrogância”.

O Muro de Berlim começou a ser construído a 13 de Agosto de 1961, por ordem das autoridades comunistas da Alemanha de Leste (RDA), e tombou 28 anos depois, na sequência da revolução pacífica de dezenas de milhares de leste-alemães que reclamaram liberdades democráticas, incluindo a liberdade de circulação, nas ruas de Leizpig, Berlim-leste e outras cidades da RDA.

Cerca de 140 pessoas morreram ao tentar fugir para o ocidente através do Muro de Berlim, uma das fronteiras mais vigiadas do mundo, milhares foram detidas por tentativas de fuga.

Entre a fundação da RDA, em Outubro de 1949, e a construção do Muro, 12 anos mais tarde, mais de 3,5 milhões de alemães voltaram as costas ao regime comunista e emigraram para a Alemanha Federal.


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