Expedições à Antártida para marcar soberania arrancam

Expedições à Antártida para marcar soberania arrancam

 

Lusa / AO online   Internacional   24 de Out de 2007, 18:07

A primeira de três expedições chilenas para exercerem a soberania na Antártida face à posição da Grã-Bretanha, que pretende reivindicar mais de um milhão de quilómetros quadrados desse território, parte esta quarta-feira de Santiago.
Trata-se de uma expedição de cariz político e que integra seis membros da Comissão de Defesa da Câmara dos deputados, devendo chegar quinta-feira a território antárctico, onde permanecerá dois dias, a convite da Força Aérea do Chile.

Os parlamentares pertencem a todo o espectro político chileno.

O deputado Jorge Tarud assegurou na edição electrónica do diário El Mercúrio que se trata de um "gesto político" que apesar de já estar programado antes da reclamação britânica, "tem agora muito mais força e um carácter político".

Tarud enumerou os objectivos da expedição: "Assentar soberania, demonstrar claramente que os chilenos não necessitam de passaporte para ir à Antártida, nem sequer de bilhete de identidade, porque é território nosso" e também "acompanhar a nossa gente que está na base Frei".

A esta viagem soma-se o anúncio da chancelaria chilena que patrocinará uma expedição científica de alto nível à Antártida, integrando chilenos do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU, recentemente galardoado com o Prémio Nobel da Paz.

Com esta missão, o governo pretende demonstrar que o país cumpre os acordos do Tratado Antárctico.

"Isto é uma forma de dizer que o Chile está presente inclusive na fronteira do conhecimento", disse o ministro dos Negócios Estrangeiros, Alejandro Foxley, ao anunciar a iniciativa.

Recordou que o Tratado Antárctico de 1959 "permite precisamente este tipo de actividades e não de outro tipo", numa alusão ao anúncio britânico encarado pelos peritos chilenos como um desafio ao Tratado que congelou os direitos humanos reclamados por diferentes países.

Esta expedição, que ainda não tem data definida, tem como meta chegar ao "Pólo da Inacessibilidade", um dos sítios mais remotos da Antártida, onde se realizará uma investigação simultânea com radares de alta definição, para estabelecer as condições dos glaciares.

A estas expedições soma-se a viagem ao continente gelado que fará o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, nos primeiros dias de Novembro a convite do governo chileno e na qual poderá ser acompanhado pela presidente Michelle Bachelet, confirmou terça-feira Foxley.

A viagem de Ban Ki-moon que chegará ao Chile para assistir à Cimeira Ibero-americana de chefes de Estado e de governo em Santiago de 08 e 10 de Novembro, estava programada antes de se conhecer a reivindicação britânica.

A viagem à Antártida de Ban anuncia-se numa altura em que o Chile informou que reclamará junto da Comissão de Limites Externos da Plataforma Continental das Nações Unidas os direitos que tem sobre parte do continente, que os britânicos incluíram na sua reclamação de 17 de Outubro.

O Ministério chileno dos Negócios Estrangeiros sustenta que a zona antárctica reclamada pelo Chile "é uma prolongamento natural" da sua plataforma continental.
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