Eurodeputados com leituras diferentes sobre o ano 2008

Eurodeputados com leituras diferentes sobre o ano 2008

 

João Alberto Medeiros   Regional   29 de Dez de 2008, 09:39

O eurodeputado Duarte Freitas considera que o ano que agora chega ao fim foi para a União Europeia (UE) “um pouco bipolar”.
Num balanço do ano para o AO, o europarlamentar dos Açores lembra que a UE conseguiu ajudar a parar  a guerra na Geórgia.
Tratou-se de  uma acção “bem diferente do que (não) fizemos aquando do conflito nos Balcãs, o que significa que nalguns aspectos estamos a fazer bem melhor do que outrora”.
“Impulsionámos a Cimeira do G20, dando o primeiro passo para a nova ordem financeira mundial que há-de sair dos escombros do capitalismo especulativo”.
Por outro lado, alude Duarte Freitas, foi fechado o Pacote Clima, tendo-se assim revelado “o nosso empenhamento e a nossa liderança em relação ao desafio mais decisivo para as novas gerações de todo o mundo - o combate às alterações climáticas”.
No entanto, a UE baqueou no processo institucional. A Irlanda disse não ao Tratado de Lisboa e “colocou-nos num novo impasse”.
“Há agora um novo plano para ultrapassar mais este problema que, a ser bem sucedido, poderá dar-nos  o Tratado em 2010, a tempo da adesão da Croácia” - refere Duarte Freitas.
De acordo com o europarlamentar “será de perguntar aos políticos de todos os partidos da Europa - pelo menos aos partidos de poder - como querem convencer os seus eleitores da valia da União e, deste modo, proteger este projecto dos populismos extremistas de ocasião, se são estes mesmos políticos que se desculpabilizam permanentemente com Bruxelas e nunca falam da UE em muitas coisas positivas que ela representa para os seus cidadãos”.Referindo-se especificamente aos Açores, Duarte Freitas considera que “temos motivos de apreensão com o desenlace do processo das quotas leiteiras”.
Neste dossier “confirmou-se a continuação do desmantelamento que visa a liberalização do sector e, consequentemente, uma maior competitividade e menores preços aos produtores”.
“A este respeito fica o maior mistério político de 2008: como é possível que esta ameaça ao mais importante sector económico da nossa Região passe quase despercebida aos açorianos?”.
E as interrogações de Duarte Freitas continuam:”como é possível que, entre outros,  o Governo e a comunicação social não dêem eco desta preocupação?”
“Será que é porque não interessa ao PS que, através do seu ministro da Agricultura, é o principal responsável por esta situação? - conclui.
Paulo Casaca prefere referir que a deslocação da Comissária Europeia Fischer Boel e da Comissão de Agricultura do Parlamento Europeu aos Açores não surtiu os efeitos desejados.
O eurodeputado socialista considera que as expectativas de que “os Açores e as suas questões agrícolas mais prementes fossem devidamente tidas em conta eram elevadas, mas não foram correspondidas”.
“Não se fez no Parlamento Europeu o indispensável trabalho de alerta para a especificidade do leite dos Açores, deixando-o desaparecer no turbilhão dos grandes interesses em presença”.
 De acordo com o europarlamentar “no desencadear da maior crise dos últimos 80  anos assistimos a um debate surrealista sobre o que pode acontecer daqui a  7 anos”.
Na sua leitura, as instituições europeias “agiram esquecendo-se que a PAC nasceu como instrumento para regular os mercados”.
No caso específico do açúcar o “cartel falou mais alto que o direito e a justiça e foi lançada a dúvida sobre a continuidade da SINAGA”.
No capítulo das Pescas, Casaca ressalva que na sequência de um “intenso trabalho de diálogo e negociação em que é justo destacar o esforço do presidente da Comissão das Pescas do PE, o general Morillon, a deputada Margie Sudre pelo PPE e Emanuel Jardim Fernandes do PSE, conseguimos a extensão até 2011 do final do prazo para o apoio comunitário à renovação e modernização da frota das regiões ultraperiféricas”.Em relação ao Ambiente e Energia, Casaca sublinha a primeira conferência transatlântica sobre as energias renováveis, organizada, por sua “ proposta e iniciativa”, pelos dois municípios terceirenses e pela Câmara de Comércio de Angra.
O encontro reuniu em Dezembro, pela primeira vez na história dos Açores todos os parlamentares em representação dos Açores ou originários dos Açores no Parlamento Europeu, no Congresso dos EUA e na Câmara dos Comuns do Canadá.

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