Açoriano Oriental
Entre Vila Franca do Campo e Lagoa poucos procuraram passar a cerca sanitária

Na primeira manhã após a imposição de cercas sanitárias em São Miguel para conter o surto de covid-19, os poucos condutores que procuraram passar entre Vila Franca do Campo e a Lagoa não tiveram grandes dificuldades.

Entre Vila Franca do Campo e Lagoa poucos procuraram passar a cerca sanitária

Autor: Rui Pedro Paiva / Lusa

Durante a manhã desta sexta-feira, na rotunda que divide a freguesia de Água de Pau, no concelho da Lagoa, e Água d'Alto, em Vila Franco do Campo, três agentes da PSP controlavam a barreira imposta devida às cercas sanitárias criadas desde quinta-feira em todos os seis concelhos da ilha de São Miguel.

Durante cerca de uma hora, cerca de quinze carros, vindos da Lagoa, passaram pela zona com intenção de entrar em Vila Franca. Todos eles foram parados e interrogados pela PSP e todos eles viram as suas intenções acedidas.

Ricardo Santos, morador em Vila Franca, foi uma destas pessoas. Quando falou à agência Lusa, já tinha passado naquele local por duas vezes, uma vez que saiu "quase de madrugada" para trabalhar na lota de Ponta Delgada.

"Não tive qualquer dificuldade em circular. Fui sempre parado pela polícia e tive de mostrar uma declaração da lota. Eles pediram o documento que era preciso e eu mostrei, sem esperar muito tempo", assinala.

Quem diz que também não teve dificuldades em atravessar a cerca sanitária foi Carlos Freitas, que conduzia um camião com várias garrafas de gás. Hoje já passou pelos concelhos de Lagoa, Ponta Delgada e Vila Franca e em nenhum dos locais diz ter esperado mais do que cinco minutos.

"Para já, a operação está bem montada. Não esperei tempo nenhum hoje. O máximo que esperei foram cinco minutos", destaca.

Nas raras vezes que apareceu mais do que um carro ao mesmo tempo, os agentes da PSP no local estavam em número suficiente para acorrer às solicitações.

No caso de Tibério Travassos, que ia levar produtos congelados aos supermercados do concelho, os agentes de segurança sugeriram uma alteração na declaração apresentada.

"Convém pedir à empresa que acrescente aqui que o senhor irá circular várias vezes ao dia", explicou um dos guardas da PSP. Ainda assim, Tibério Travassos avançou.

Os três casos enquadram-se nas exceções previstas na resolução do conselho do Governo Regional que regulamentou as cerca sanitárias em São Miguel, uma vez que é permitida a passagem entre concelhos a profissionais de setores essenciais e a profissionais que garantam o abastecimento de bens essenciais - mediante a apresentação de comprovativos.

Nessa manhã, algumas pessoas que não estavam em trabalho também conseguiram atravessar a cerca sanitária, como Sandro Vieira, morador de Rabo de Peixe, que pretendia ir a Ponta Garça buscar a filha.

"Vou buscar a minha filha, porque temos a guarda partilhada. Tenho a ata do divórcio, mas não sei vou conseguir passar ou não", disse à Lusa, antes de lhe ser concedida a passagem.

Também Helena Subica, professora e moradora na Lagoa, pretendia ir à escola de Vila Franca do Campo buscar uns "dossiês" que precisava para trabalhar a partir de casa. A pretensão foi acedida mediante a apresentação do cartão da escola.

Em ambos os casos, os guardas no local tomaram nota dos nomes e do número do cartão de cidadão dos passageiros.

Os seguranças da PSP explicaram à Lusa que, tratando-se do primeiro dia desde a implementação da medida, é preciso ter "bom senso" e analisar as situações caso a caso.

Os agentes frisaram também que é necessário fazer pedagogia e explicar às pessoas como é que "as coisas vão funcionar" a partir de agora.


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