Empresas de tradução chinesas "fabricam" o Português mais barato


 

António Larguesa - Lusa / AO online   Economia   26 de Out de 2007, 11:42

Quer traduzir um texto de português para russo? Empresas chinesas com tradutores chineses garantem qaue fazem os "melhores preços" e classificam o fenómeno como a globalização das indústrias do conhecimento.
 "Temos um cliente em Portugal que compra produtos na Tailândia para revender em grandes superfícies e nos contratou para traduzirmos os livros de instruções para português", referiu Tian Dongni, gestora de projectos da Powers Translation, que prefere, no entanto, não identificar esse cliente.

Tian aconselha as empresas portuguesas a fazer traduções na China, uma vez que "chega a ser dez vezes mais barato".

"Os nossos trabalhadores ganham menos dinheiro do que os ocidentais", explicou.

A Powers Translation, que está neste momento a negociar um outro contrato com um cliente português, utiliza apenas mão-de-obra chinesa, em part-time, e encara com naturalidade os pedidos de tradução que chegam do estrangeiro.

"É a globalização deste ramo do negócio", considerou Tian, em entrevista à Agência Lusa, em Pequim.

A China, que no final do ano poderá ultrapassar a Alemanha como terceira maior economia do mundo, começa a ganhar também terreno na área das indústrias do conhecimento pela mesma razão de competitividade que há duas décadas levou as multinacionais a deslocar, por exemplo, fábricas de calçado para o país asiático.

A Tongwen, com escritórios em Pequim, no centro económico e financeiro de Xangai e em Cantão, capital da província de Guangdong, fronteira a Macau, não tem ainda clientes portugueses, mas recebe duas encomendas por mês para trabalhos de tradução na língua de Camões.

"A maior parte dos pedidos para português chegam de empresas chinesas de construção com projectos em países lusófonos, em especial no Brasil e Angola", disse Caiyun Li, chefe do escritório da Tongwen na capital chinesa.

Caiyun usa o pragmatismo chinês para explicar os preços competitivos que a empresa pratica em relação às concorrentes estrangeiras: "Nós temos mais tradutores".

Uma legião de jovens poliglotas sai todos os anos das universidades de línguas da China, reforçando a oferta de mão-de-obra especializada e disponível para este ofício, que coloca povos tão diferentes em contacto.

Liliana Gonçalves, professora de Português na Universidade de Comunicação da China, refere que o programa curricular da licenciatura dos seus alunos inclui uma cadeira obrigatória de dois anos para ensinar técnicas de tradução.

"Tenho vários alunos interessados em estudar português para trabalhar depois em empresas de tradução", confirma Liliana Gonçalves, que trabalha há dois anos em Pequim.

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