Eleições na Rússia não correspondem a padrões europeus

Eleições na Rússia não correspondem a padrões europeus

 

Lusa / AO online   Internacional   3 de Dez de 2007, 10:58

Os observadores da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa e da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) declararam esta segunda-feira que as eleições legislativas não corresponderam aos padrões europeus.
"É nossa opinião de que estas eleições não podiam corresponder a muitos critérios de eleições, aceites na Europa. Por isso, não podemos chamar-lhes livres", declarou Joran Lennmarker, chefe da missão de observadores da Assembleia Parlamentar da OSCE.

"As eleições na Rússia não foram justas", considerou também Luke van den Brande, chefe da missão de observadores da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa.

"No país não existe divisão real de poderes. Não foram eleiçõe como tais, mas um referendo a favor do Presidente", acrescentou.

Luke van den Brande afirmou existirem "grandes preocupações quanto ao desenvolvimento da democracia" na Rússia.

"Constatámos diferentes momentos positivos durante a preparação e realização do escrutínio. Mas, ao mesmo tempo, detectámos momentos negativos, que dizem respeito ao segredo da votação", afirmou.

Contactados pela Agência Lusa, João Soares (PS) e António Almeida Henriques (PSD), dois observadores portugueses que trabalharam em São Petersburgo, segunda maior cidade russa, reafirmaram que, pelo que viram, o escrutínio decorreu "dentro da normalidade democrática".

"O que vimos e visitámos mais de 20 secções de voto, mostra que a votação corresponde aos padrões habituais", declarou à Lusa João Soares, presidente da delegação da Assembleia Parlamentar da OSCE.

João Soares disse que "os cadernos eleitorais estavam bem organizados, a identificação dos eleitores era feita de forma capacitada".

"Não é comum ver votar com credenciais (documento que permite a um eleitor votar fora do local de residência). Também não é uma coisa normal ver urnas ambulantes num hospital, mas assistimos a isso e não detectámos anormalidades", acrescentou.

O deputado socialista sublinhou que os observadores da OSCE se encontraram com representantes de vários partidos que participaram nas eleições.

"Um observador do Partido Iabloko fez umas queixas, mas não tinha elementos concretos. Deixei-lhe o número do meu telemóvel para me comunicar infracções concretas", disse.

João Soares afirmou ter telefonado a vários colegas que se encontravam em outras regiões da Rússia, tendo recebido informações de que "as eleições decorreram de forma normal".

António Almeida Henriques, vice-presidente da delegação da Assembleia Parlamentar da OSCE, exprimiu opiniões semelhantes às de João Soares.

"Até ao momento, tudo está ser feito em conformidade com as normas democráticas. Há um aspecto falível: o voto por credencial, mas nada de grave. Observei outros actos eleitorais. A última vez foi na Sérvia e, aqui, as coisas não diferem muito", acrescentou António Almeida Henriques.

Os observadores da Comunidade de Estados Independentes (CEI), organização que reúne 12 das 15 antigas repúblicas da antiga União Soviética, consideraram, num comunicado divulgado em Moscovo, as eleições "democráticas, livres e transparentes" e apelaram aos outros observadores internacionais a aderir a este ponto de vista.

Contados 98 por cento dos votos, o Partido Rússia Unida obteve 64,1 por cento dos votos, o Partido Comunista conquistou 11,6, o Partido Liberal Democrático 7,8 por cento e o Partido Rússia Justa 7,8 por cento.

Os restantes sete partidos não conseguiram eleger deputados.

Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
Consulte os termos e condições de utilização e a política de privacidade do site do Açoriano Oriental.