Ejaculação prematura começa a deixar de ser 'tabu'

Ejaculação prematura começa a deixar de ser 'tabu'

 

Luísa Couto   Regional   18 de Out de 2009, 19:47

A ejaculação prematura começa a deixar de ser um problema tido como "tabu". Uma convicção manifestada pelo coordenador do Núcleo de Estudos de Sexologia Clínica e responsável pela consulta de Sexologia do Hospital de Santa Maria, Rui Xavier Silva, tendo em conta o aumento registado em matéria de consultas.

"Os homens, em geral, são muito renitentes a falar sobre a sua sexualidade. Muitas vezes eram as companheiras que pressionavam um pouco ou que tomavam a iniciativa de ir à consulta", mas essa é uma situação que está a alterar-se, assegura o especialista. De passagem por São Miguel para participar num debate sobre "Terapias Sexuais do Homem: Novas Abordagens", Rui Xavier Silva recorda que esta disfunção foi, ao longo dos tempos, considerada um problema "de pouca importância, puramente psicológico que, da mesma maneira que surgia, da mesma maneira podia desparecer".

E apesar de reconhecer que "esse mito ou falsa ideia ainda sem mantém", fazendo com que muitas pessoas deixem passar anos e anos sem tomar nenhuma decisão em matéria de ajuda, o especialista revela que o "papel mais activo da mulher ao nível da sexualidade, não apenas em termos de ajuda do companheiro mas também reivindicando o direito à satisfação" tem servido, em grande medida, para que o tema e a busca de soluções esteja a receber um novo impulso.

Quanto a estratégias para pôr fim aos problemas de ejaculação prematura, Rui Xavier Silva adianta que é conveniente analisar caso a caso e que, em determinadas situações, as indicações teraupêuticas por si só não bastam.

"Somos obrigados a pensar não apenas numa prespectiva psicológica mas também em algo mais orgânico e biológico que possa estar alterado. Mas não é só isso...É que a indicação farmacológica poderá funcionar mas é também preciso não esquecer a parte do acompanhamento do casal, por exemplo", indica, explicando que, actualmente, "há uma nova compreensibilidade do problema da ejaculação prematura".

No que concerne à disponibilidade de ajuda especializada para a referida disfunção, o responsável pela consulta de Sexologia do Hospital de Santa Maria, garante que nessa unidade de saúde " não há listas de espera".

Por sua vez, instado a falar dos meios mais distantes dos centros urbanos, Rui Xavier Silva sustenta que, embora com maiores limitações, "certas respostas também poderão ser dadas, mesmo sem recurso a especialistas".

"O próprio casal tem armas poderosas para fazer regredir esse problema de uma forma considerável, daí só uma parte mais residual ter de recorrer às consultas", esclarece.

O especialista diz ainda lamentar que "se continue a encarar a saúde sexual com menos cuidado do que aquele que se deveria fazer". É que, apesar dessa questão só ter sido trazida para a medicina geral muito recentemente, numa consequência quase directa da descoberta de um fármaco para a disfunção eréctil, trata-se de um problema que afecta o bem-estar do indíviduo e não só.

Num estudo recentemente apresentado durante o III International Consultation on Sexual Medicine e realizado a mais de 1500 homens a quem foi diagnosticada ejaculação prematura, as consequências desta doença afectam o homem e a sua companheira em diversos aspectos, como a redução dos níveis de função sexual, a redução dos níveis de satisfação, a redução geral da qualidade de vida, o aumento dos níveis de angústia e o aumento dos níveis de dificuldade de interacção pessoal.

Metade dos inquiridos confirmaram os efeitos negativos da ejaculação prematura na auto-estima e confiança, revelando que atingir o clímax muito cedo lhes causa perda de confiança no seu desempenho sexual. Destes, 26% afirmam ainda que a referida situação os deixa menos confiantes mesmo fora do quarto.


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