Açoriano Oriental
Edição 9.5 do festival açoriano Walk & Talk arranca hoje

O festival Walk & Talk arranca hoje com a edição “9.5”, em vez da 10.ª edição, adiada para 2021, num interlúdio entre o ‘online’ e o ‘on-site’, de um evento que vem de “um lugar de resiliência”.

Edição 9.5 do festival açoriano Walk & Talk arranca hoje

Autor: LUSA/AO Online

Quando, em março, a pandemia de covid-19 pôs um ponto de interrogação sobre a possibilidade de realização do Walk & Talk, a equipa cedo se apercebeu que “não fazia sentido, quase dez anos depois, ele deixar de existir”, explicou Jesse James, codiretor artístico do festival de arte.

E não fazia sentido porque “o festival vem deste lugar de resiliência: começou, em 2011, num contexto de crise (…). Até por uma questão de responsabilidade e de atitude, ele tinha que existir”, frisou o responsável.

Com quatro meses para encontrar soluções, e vendo que, numa “primeira reação a este contexto”, a cultura reagiu com “uma digitalização dos processos de programação”, começaram a preparação, num “espaço de assembleia”, para o qual convocaram os artistas e toda a equipa que faz o festival.

“Sentimos necessidade de encontrar equilíbrio entre essa necessidade de nos imaterializarmos e virarmo-nos para o digital, com encontrar estratégias para nos mantermos presentes no território, no espaço e de criarmos lógicas de relação entre pessoas”, adiantou o organizador.

Dessa necessidade, surgiu a 9.5, edição que arranca hoje e ocupa, de maneira diferente, o espaço físico de São Miguel, alastrando-se para uma “não-geografia”, que consegue chegar a toda a gente”, afirma a codiretora artística, Sofia Carolina Botelho.

Para isso, o festival que tinha como ‘casa’ o pavilhão W&T, serve-se agora de uma plataforma (acessível em www.9.5.walktalkazores.org), que reúne projetos, eventos e atividades artísticas, muitos deles concretizados ‘on-site’ (no local), em São Miguel, e que dá também acesso à “Rádio 9.5”, emitida em F.M. e 'online' a partir de Ponta Delgada.

Pensar este ‘site’ “é pensar no pavilhão, para as dinâmicas de um pavilhão que é um ponto de encontro, de troca, de discussão”, numa plataforma que “engloba isso tudo de certa forma” e, em termos de dinâmica, “não deixa de ser interessante, na medida em que abre possibilidades que chegam a outras geografias”, considerou a responsável.

“Estamos há dez anos a falar sobre espaço público, a falar sobre como é que movemos ideias entre geografias, como é que nos relacionamos enquanto geografia, dita periférica, com outros contextos centrais, e estamos sempre a reequacionar essas relações entre esses lugares”, concretizou Jesse James.

Para o responsável, a “plataforma é ótima” porque cria um “espaço que agrega os trabalhos desses artistas, mas que, ao mesmo tempo, funciona como um ponto de partida para um entendimento desses mesmos projetos no ‘online’, mas com relação com o ‘on-site’, porque esses projetos estão no ‘online’, mas vão continuar, vão-se estender na paisagem”.

“Aqueles que estão em São Miguel, neste caso, são os grandes privilegiados, porque são os que conseguem ter acesso à obra completa, ou à extensão das obras”, atirou.

O codiretor artístico lembra que nem “todas as pessoas têm computador e acesso à Internet” e considera que “a questão do espaço público tem sempre essa vantagem: ser um lugar que é, efetivamente, acessível a qualquer pessoa que se desloca na cidade” de Ponta Delgada.

Em tempo de restrições, também no local foi preciso inovar nos formatos, “brincar com os sentidos”, como apontou Sofia Carolina Botelho.

“Essa lógica de uma obra de arte no espaço altera-te a tua visão dele, a forma como tu o lês, de alguma forma. Agora, o interesse é que essa obra, que associamos, geralmente a uma coisa tridimensional, pode ser um som, ou um cheiro”, referiu.

Apesar do formato híbrido, a direção optou por conservar a estrutura do festival, mantendo, assim, o Circuito Performativo, onde se encontram projetos de música, dança e performance, o Circuito Conhecimento, com conversas em formato 'podcast' e a Escola de Verão para jovens da região, e o Circuito Ilha, que terá a apresentação de instalações, 'performances', exibição de vídeos e distribuição de 'mail art' em vários locais de São Miguel.

Num “ano de transição”, o “9.5 vai servir para imaginar novas edições”, refere a direção, que espera realizar a décima em 2021, com mais presença física, até porque “há muitas coisas que começam a ganhar corpo este ano, mas que continuam para o próximo ano”.

Nos meses que anteciparam o arranque do festival, foram vários os artistas com projetos “que tinham começado a ser pensados numa perspetiva mais digital, mas começaram a ganhar corpo e a existir mais ‘on-site’”, contou Jesse James.

Os projetos são conceptualizados pelos artistas, mas executados pela equipa de cerca de 20 pessoas que o Walk & Talk tem em São Miguel.

O codiretor destacou a “relação de confiança que se reforça entre os artistas e os produtores, os técnicos, equipas de comunicação, equipas de projetos educativos”, entre outros.

Já Sofia Carolina Botelho salientou o desafio de pensar um projeto, “enquanto artista, sabendo de antemão que não se vai pôr a mão nele”.

“Confiança” e “colaboração” estão no centro da realização desta edição híbrida, que conta com nomes como Abbas Akhavan, Alice dos Reis, Atelier Brum + Atelier Caldeiras, Diogo Lima, Margarida Fragueiro, Nádia Belerique, Pedro Maia, Sofia Caetano e Elliot Sheedy, entre muitos outros.


 
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