Irlanda do Norte

Dissidentes do IRA ameaçam matar mais polícias


 

Lusa / AO online   Internacional   28 de Nov de 2007, 11:43

Um grupo dissidente do Exército republicano irlandês (IRA) responsável pelo atentado mais mortífero na Irlanda do Norte ameaçou terça-feira matar mais polícias numa tentativa de prejudicar o recrutamento católico para as forças de segurança da província.
Um porta-voz encapuzado do grupo dissidente IRA Verdadeiro, entregou um vídeo à Televisão do Ulster num local não revelado do Condado Tyrone, de acordo com aquela estação.

"Vamos continuar a atacar as forças da coroa (britânica) no tempo e local que escolhermos", disse o homem à televisão lendo um comunicado.

O vídeo, passado segunda-feira, mostra dois homens mascarados disparando uma pistola de assalto e um revólver.

Foi o primeiro exercício de propaganda público lançado pelo IRA Verdadeiro que foi fundado em 1997 em oposição ao cessar-fogo do IRA desse ano. Em 1998, um carro armadilhado pelo IRA Verdadeiro na localidade de Omagh matou 29 pessoas, na maioria mulheres e crianças - o atentado mais mortífero durante décadas de derramamento de sangue no território britânico.

    O IRA Verdadeiro matou e feriu dois agentes da polícia que estavam de folga a 08 e 12 de Novembro. Ambos os homens foram alvejados quando estavam no interior das suas viaturas: um tinha acabado de deixar o filho na escola, enquanto o outro tinha deixado a sua esquadra para ir para casa.

    O aumento da actividade do IRA Verdadeiro surge num ano de progressos dramáticos na Irlanda do Norte. O Sinn Fein, a ala política do IRA que representa a maior parte da minoria católica aceitou a autoridade da polícia - uma reviravolta histórica que levou os lideres protestantes a quatro meses depois partilharem a administração com o Sinn Fein. A até então improvável coligação tem estado a trabalhar com regularidade.

O domínio protestante no governo da Irlanda do Norte e na força da polícia originou um movimento de direitos cívicos católico e a influência de um novo IRA em finais da década de 60. O acordo de paz de Sexta-Feira Santa sob a égide dos Estados Unidos em 1998 propôs dezenas de objectivos para promover uma nova Irlanda do Norte baseada na partilha do poder e na cooperação.

Os objectivos mais complexos do pacto - reformar a força de polícia maioritariamente protestante numa nova organização que goze pela primeira vez do apoio católico, está mais adiantada do que o previsto.

No recrutamento destas forças exige-se que mais de metade dos candidatos sejam católicos, uma política que triplicou a representação dos católicos nas fileiras das forças de segurança de oito por cento em 2001 para 23 por cento actualmente. O objectivo é ter 30 por cento de polícias católicos em 2011.

A maioria dos membros do IRA entregou as armas e renunciou à violência em 2005 mas varios grupos dissidentes permanecem empenhados na insurreição.

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