Diabetes tipo 2 custa mais de 900 milhões de euros por ano

Diabetes tipo 2 custa mais de 900 milhões de euros por ano

 

Lusa/AO Online   Nacional   11 de Nov de 2011, 09:51

A diabetes tem um custo anual para o sistema de saúde superior a 900 milhões de euros, o que corresponde a cerca de cinco por cento (%) das despesas de saúde e a 0,5% do PIB, revela um estudo hoje apresentado.

A investigação, levada a cabo pela Faculdade de Medicina de Lisboa e pela Universidade Católica, teve por base os dados estatísticos demográficos e de saúde disponíveis para Portugal em 2008 e procurou saber quais os custos e a carga da diabetes mellitus tipo 2 (a forma predominante a nível mundial, com 90% de prevalência) em Portugal.

Relativamente aos custos da doença para o sistema de saúde, representaram nesse ano 952 milhões de euros, cerca de 5,5% do total das despesas de saúde e 0,55% do Produto Interno Bruto (PIB) desse ano.

Decompondo esse total em custos diretos e indiretos, o estudo aponta para uma estimativa global de 616 milhões de euros em custos diretos, dos quais 108,2 milhões com internamentos atribuíveis à diabetes e 508 milhões com tratamentos em ambulatório (239 milhões só em medicamentos).

Quanto aos custos indiretos, ou seja a incapacidade de trabalhar resultante da diabetes, são estimados em 336 milhões de euros.

A carga da doença é medida através do tempo de vida perdido por mortalidade prematura ou pelo tempo vivido com incapacidade, bem como pelo grau de severidade dessa incapacidade.

Assim, usando indicadores da Organização Mundial de Saúde (OMS) e do Banco Mundial, o estudo conclui por um total de 8.845 mortes atribuíveis à diabetes em 2008, cerca de 8,5% dos óbitos totais nesse ano.

O estudo avaliou também o número de anos de vida perdidos em consequência da diabetes, quer por incapacidade quer por morte prematura.

Desse modo, conclui que os anos de vida perdidos por morte se estimam em 100 mil e por incapacidade em 30,4 mil.

“Globalmente, em 2008 há um total de 130.993 anos de vida ajustados por incapacidade perdidos”, sendo que este total representa 23,2% de anos perdidos por incapacidade e 76,8% de anos perdidos por morte prematura.

Os homens têm 62,6% deste total contra 37,4% das mulheres.

O estudo indica ainda que as previsões da OMS apontam para uma subida da prevalência global de diabetes mellitus dos atuais 285 milhões (2010) para os 438 milhões em 2030, fazendo com que esta patologia seja considerada um dos problemas mais importantes de saúde pública global.

As complicações derivadas da diabetes – microvasculares (rim, retina e nervo) e macrovasculares (doença coronária, cerebrovascular e arterial periférica) – são responsáveis por uma redução de esperança de vida de 7-10 anos nos diabéticos, quando comparados com pessoas sem diabetes.

A população dos diabéticos constitui a primeira causa de cegueira em pessoas com idades compreendidas entre os 20 e os 74 anos, assim como de insuficiência renal crónica, uma população com uma sobrevida média de 3-4 anos.

A diabetes mellitus é dividida em quatro grupos: tipo 1 (cerca de 10% de todos os doentes afetados e com base imunitária maioritariamente), tipo 2 (forma predominante com uma prevalência de cerca de 90%), outros tipos (como defeitos genéticos) e diabetes gestacional (durante a gravidez).

O estudo “Os custos e carga da Diabetes Mellitus tipo 2 em Portugal” foi realizado pelo Centro de Estudos de Medicina Baseada na Evidência, da Faculdade de medicina de Lisboa, e pelo Centro de Estudos Aplicados da Catolica Lisbon School of Business and Economics, da Universidade Católica Portuguesa.


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