“Os senhores tiveram uma atitude de prepotência e arrogância vergonhosa, e é lamentável para os Açores esta postura da FLAD”, criticou a deputada do Chega, Olivéria Santos, durante a discussão na sede do parlamento, na Horta, de uma proposta que recomenda ao Governo a promoção de diligências com vista ao reforço da presença institucional daquela fundação nas ilhas.
O Chega entende que a FLAD deveria ter uma representação efetiva nos Açores, com uma delegação permanente na região, e exige ainda que a fundação promova mais investimento no arquipélago, atendendo a que a origem da sua criação reside na Base das Lajes, infraestrutura militar utilizada pelos norte-americanos, sedeada na ilha Terceira.
Berto Messias, líder parlamentar do PS, criticou também a atitude dos responsáveis da FLAD, por não terem comparecido na comissão parlamentar, quando convocados pelos deputados, apontando o dedo ao açoriano Carlos Costa Neves, antigo líder do PSD/Açores, recentemente eleito para administrador daquela fundação.
“Acho que o doutor Carlos Costa Neves entrou com o pé esquerdo”, ironizou o parlamentar socialista, que lamentou também a ausência da FLAD na comissão de Política Geral da Assembleia Legislativa dos Açores, onde o assunto foi discutido antes de subir agora a plenário.
O secretário regional dos Assuntos Parlamentares, Paulo Estêvão, também entende que a FLAD tem de aumentar os seus investimentos nos Açores e nas comunidades açorianas radicadas nos Estados Unidos, apesar de não concordar, no entanto, com a forma como o Chega apresentou o assunto.
“O Governo dos Açores entende que a contribuição da FLAD nos Açores não é suficiente, nem adequada, nem responde à importância vital que os Açores têm no quadro desta relação entre os Estados Unidos e Portugal”, insistiu o governante.
Também João Bruto da Costa, líder parlamentar do PSD, considera que o Chega “comete um erro”, ao pegar no assunto pela “forma” e não pelo “conteúdo”, justificando assim os sociais-democratas não acompanharem, “na totalidade”, a recomendação apresentada em plenário.
João Mendonça, deputado do PPM, disse que “é desejável” que os Açores procurem “mais investimentos, mais cooperação e mais oportunidades”, no relacionamento entre Portugal e os Estados Unidos, mas recordou que esses objetivos já são também seguidos pelo executivo de coligação.
Mas António Lima, deputado do Bloco de Esquerda, considera que é “altamente imprudente”, que o parlamento dos Açores esteja a colocar este assunto “desta forma, em cima da mesa”, recordando que esta matéria devia ser discutida no âmbito de uma negociação do acordo bilateral entre Portugal e os Estados Unidos.
Nuno Barata, deputado da Iniciativa Liberal, também manifestou algumas reservas em relação à proposta do Chega, em especial no que se refere à criação de uma delegação da FLAD nos Açores: “fica a ideia de que a criação de mais uma estrutura vai criar mais despesas e não propriamente um ganho”.
Para Luís Silveira, deputado do CDS-PP, justifica-se que a FLAD “invista mais nos Açores”, na medida em que “se não houvesse região, nem Base das Lajes, também não havia FLAD”, considerando que é um “desrespeito para os Açores”, que aquela fundação só gaste 10 por cento das suas receitas no arquipélago.
A recomendação ao Governo Regional foi aprovada com os votos favoráveis do CH, PS, CDS e IL, os votos contra do Bloco e do PAN (que não interveio) e as abstenções do PSD e do PPM.
