Região avisa que saúde está acima de interesses políticos na contaminação das Lajes

O vice-presidente do Governo dos Açores prometeu continuar a ser “exigente” com a República face à contaminação na área da Base das Lajes, pelos Estados Unidos, e avisou que a saúde está “acima de qualquer interesse político”.




“Acima dos interesses de qualquer governo, autarquia, capitães ou generais, está o interesse do meu povo, o povo da Praia da Vitória, o povo da Terceira, o povo dos Açores. Tal como o fomos no passado, continuaremos a ser exigentes com os governos da República em prol da salvaguarda dos superiores interesses dos Açores”, afirmou Artur Lima.

O vice-presidente do executivo açoriano (PSD/CDS-PP/PPM) falava no plenário da Assembleia Regional, na Horta, durante um debate de urgência solicitado pelo CDS-PP sobre a situação ambiental dos solos e aquíferos da ilha Terceira.

O também líder do CDS-PP nos Açores alertou que a região não é um “mero peão” na política externa do país e evocou a importância estratégica da Base das Lajes, localizada na Praia da Vitória, ilha Terceira.

“Não somos um mero peão no jogo de política externa português. O valor estratégico das Lajes sempre serviu mais os interesses de Portugal peninsular do que dos Açores. E isso será sempre inaceitável”, reforçou.

O vice-presidente do Governo Regional lembrou que “durante mais de 15 anos foram feitos alertas” sobre a contaminação causada pelos Estados Unidos que foram “prontamente abafados por alguns governantes regionais e locais”.

“Relatórios técnicos acumulavam-se em gavetas, estudos norte-americanos alertaram e diagnosticavam manchas de poluição na bacia hidrográfica da Praia da Vitória, mas a resposta política regional e local era o manto do silêncio, a desvalorização ou o adiamento pernicioso”, afirmou, numa alusão ao PS que governou a região de 1996 a 2020 e a Câmara da Praia da Vitória de 2005 a 2021.

Artur Lima afirmou que o “assunto da contaminação nunca mais deixou de estar na ordem do dia” desde 2020, quando a coligação PSD/CDS-PP/PPM assumiu a governação regional, lembrando que os Açores “têm estado representados ao mais alto nível na Comissão Bilateral Permanente entre Portugal e os Estados Unidos da América”.

“Sobre a descontaminação, os Estados Unidos da América, que sempre encontrámos como parceiros de primeira hora, demonstraram inicialmente uma postura relutante, mas nos últimos tempos cooperante”, detalhou.

Desde 2021, salientou, as autoridades americanas “passaram a assumir uma postura mais premente de remediação ambiental”, com a promoção de estudos técnicos para “apurar se existia risco proveniente da contaminação dos aquíferos”.

“Em 2022 dá-se início à execução de trabalhos de esvaziamento, selagem ou remoção física de oleodutos inativos, assim como a remoção efetiva dos solos poluídos. Este é um trabalho efetivo. Este é o resultado do trabalho de quem sempre defendeu os interesses do nosso povo”, vincou.

Segundo o Expresso, entre 2020 e 2022, os Estados Unidos não realizaram trabalhos para remediar os danos ambientais na zona da Base das Lajes, por entenderem que a contaminação de solos e aquíferos, não é prejudicial à saúde.

Uma investigação noticiada pela agência Lusa em março de 2025 revelou que uma maior concentração de metais pesados foi detetada na população da Praia da Vitória, provavelmente devido à contaminação ambiental da Base das Lajes, segundo a análise de esqueletos humanos.

O armazenamento e manuseamento de combustíveis e outros poluentes pela Força Aérea norte-americana na base provocou no passado a contaminação de solos e aquíferos na Praia da Vitória.

Identificada em 2005 pelos próprios norte-americanos, a contaminação foi confirmada, em 2009, pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), que monitoriza desde 2012 o processo de descontaminação.


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