“É altura de haver uma reserva de água na altura de verão para abastecer os reservatórios e não continuar a incutir esse peso em cima dos municípios, que tem um custo elevadíssimo”, justificou o deputado do CDS-PP Luís Silveira, eleito por São Jorge e que foi, durante 12 anos, presidente da Câmara Municipal das Velas, naquela ilha.
A resolução apresentada pelo parlamentar centrista, e discutida no plenário da Assembleia Legislativa dos Açores, reunida na cidade da Horta, recomenda ao Governo Regional de coligação (PSD/CDS-PP/PPM) que tome medidas para um melhor aproveitamento dos recursos hídricos em São Jorge, sugerindo a construção de uma lagoa para retenção das águas das nascentes, para posterior abastecimento da população e do setor agropecuário, em especial durante o verão.
O secretário regional da Agricultura e da Alimentação, António Ventura, explicou em plenário que esse investimento em São Jorge já estava pensado pelo governo açoriano e garantiu que a obra irá avançar já em 2027, recorrendo a verbos do Fundo Ambiental.
“Naturalmente que esta lagoa irá dar uma melhor segurança hídrica às necessidades do futuro”, realçou o governante, recordando que estão previstos investimentos na ordem dos 100 milhões de euros na região em matéria de aproveitamento dos recursos hídricos em quase todas as ilhas.
O deputado do Chega José Paulo Sousa, eleito pelas Flores, lembrou que a falta de água não é um problema exclusivo de São Jorge e advertiu o executivo regional, liderado pelo social-democrata José Manuel Bolieiro, para a necessidade de olhar para todas as ilhas.
“Que o Governo Regional aproveite este impulso para desenvolver um verdadeiro plano regional de aproveitamento de recursos hídricos. Nós não podemos estar aqui a atacar problemas consoante o código postal de quem os apresenta”, apontou o parlamentar do Chega.
Também Nuno Barata, da Iniciativa Liberal, entende que São Jorge não é a ilha mais problemática em matéria de falta de água: “Eu tenho pena que a coligação PSD/CDS/PPM não traga aqui uma resolução mais abrangente porque as ilhas que nós temos com mais problemas, neste momento, são Graciosa e Pico, nem sequer é São Jorge”.
Pelo PSD, Paulo Silveira, também eleito por São Jorge, lembrou que o problema da ilha não reside na falta de água, mas sim na ausência de equipamentos que permitam a sua recolha e armazenagem, sobretudo durante os meses de verão, mas advertiu para a necessidade de se “pensar bem no que se vai fazer”.
A deputada do PS Isabel Teixeira lembrou que, independentemente da solução a adotar, em matéria de aproveitamento dos recursos hídricos em São Jorge é necessário garantir também verbas com vista à manutenção futura desses equipamentos.
António Lima, do Bloco de Esquerda, realçou a importância de que os investimentos a realizar no âmbito desta matéria “assentem em estudos técnicos” e não apenas nas vontades políticas de um ou outro partido.
Já João Mendonça, deputado do Partido Popular Monárquico, considera que a política da água “não pode ser feita quando a seca aperta”, mas deve merecer uma discussão "com planeamento, calendário e investimento" efetivos.
O deputado do PAN Pedro Neves é contra a construção de lagoas para a recolha de água e recordou que essa solução já foi adotada em São Miguel, a maior ilha dos Açores, sem sucesso, dando origem a problemas ambientais.
"Vamos olhar para mais investimentos sem, à partida, verificar se temos boa qualidade de água, tanto para a população, como para as explorações pecuárias”, disse.
O parlamento açoriano aprovou ainda, por unanimidade, uma proposta do BE, que recomenda ao Governo que proceda ao pedido de adesão dos Açores aos serviços operacionais de resposta à poluição por hidrocarbonetos, da Agência Europeia de Segurança Marítima, no sentido de prevenir eventuais situações de poluição nos mares do arquipélago.
