O número de deportações de pessoas naturais dos Açores registou um aumento significativo em 2025, mais do que duplicando face ao ano anterior. De acordo com o Relatório Anual de Segurança Interna (RASI), foram deportados 52 açorianos, comparando com os 25 expulsos em 2024.
A análise dos dados revela uma forte concentração geográfica destas deportações. A maioria teve origem na América do Norte, com destaque para o Canadá, responsável por 28 casos, seguido dos Estados Unidos da América, com 21 deportações. Na Europa, os números mantêm-se residuais, registando-se apenas 2 casos no Reino Unido e 1 em França.
A comparação com 2024 evidencia uma subida acentuada. Nesse ano, o Canadá registava 20 deportações, enquanto os Estados Unidos contabilizavam apenas 3 - um aumento de sete vezes. França e Reino Unido apresentavam valores reduzidos, com 1 caso cada. O aumento mais expressivo ocorreu nos Estados Unidos, onde o número de deportações passou de 3 para 21 num só ano, enquanto no Canadá subiu de 20 para 28.
Descida de 9% a nível nacional face a 2024
No plano nacional, o RASI indica que, em 2025, foram expulsos, deportados ou afastados para Portugal 352 cidadãos portugueses, o que representa uma descida de 9% face a 2024. Do total, 219 (62%) tiveram origem em países europeus e 133 (38%) fora da Europa.
Entre os países europeus, o Reino Unido surge como principal origem, com 139 deportações, seguido da França, com 44 casos. Fora da Europa, destacam-se o Canadá, com 66 deportações, e os Estados Unidos, com 56.
O relatório indica ainda que, nos casos do Canadá e dos Estados Unidos, a Região Autónoma dos Açores se destaca como o principal local de nascimento dos cidadãos portugueses deportados.
Relativamente ao número de cidadãos portugueses a cumprir pena efetiva de prisão no estrangeiro, no final de 2025 eram 1408, encontrando-se a grande maioria detida em países europeus (1246).
Perfil dos deportados com cidadania portuguesa
Em relação aos grupos etários, na França, os grupos mais frequentes foram: 20 a 29 anos (15 pessoas), 30 a 39 anos (9), 40 a 49 anos (8) e 50 a 59 anos (8). No Reino Unido, o grupo predominante foi 20 a 29 anos (29 pessoas), seguido de 30 a 39 anos (26) e 50 a 59 anos (10). No Canadá predomina o grupo de 18 a 29 anos (12 pessoas), seguido de 0 a 17 anos (11), 30 a 39 anos (11) e 50 a 59 anos (10). Nos Estados Unidos, o grupo mais representativo é o de 40 a 49 anos (14), seguido de 30 a 39 anos (13), 50 a 59 anos (10) e 18 a 29 anos (9).
Quanto ao género dos deportados, tanto na França quanto no Reino Unido, a quase totalidade das deportações refere-se a homens. No Canadá, o género masculino representa dois terços dos casos, enquanto nos Estados Unidos o número de mulheres portuguesas deportadas é superior ao dos dois países europeus.
Sobre os motivos das deportações: na França, destacam-se os antecedentes criminais (40 casos), enquadráveis em homicídio, violência doméstica/sexual, assalto, roubo, agressão com violência, posse, tráfico e/ou consumo de estupefacientes, furto, entre outros.
No Reino Unido, os antecedentes criminais também são predominantes (76 casos), principalmente relacionados ao tráfico de drogas, furto/roubo e violência doméstica/sexual, entre outros.
No Canadá, a principal razão de expulsão é a permanência ilegal (45 casos), seguida de antecedentes criminais (12), enquadráveis em homicídio, furto/roubo e violência doméstica/sexual, entre outros.
Nos Estados Unidos, assim como no Canadá, a principal razão de deportação é a permanência ilegal (26 casos), seguida de antecedentes criminais (24), enquadráveis em assaltos, roubos, tráfico de drogas, violência doméstica e sexual, entre outros.
Dos 243 cidadãos portugueses deportados destes quatro países, apenas 45 solicitaram apoio à chegada a Portugal.
