Emigração

Criação de agência não altera uma tendência que e estrututal à sociedade


 

Lusa/AO Online   Economia   21 de Dez de 2011, 08:22

O sociólogo João Queirós afirmou hoje que a criação de uma agência nacional para ajudar quem queira emigrar, como defendeu na terça-feira o eurodeputado Paulo Rangel, é desnecessária porque o fenómeno é inato à sociedade portuguesa.

A emigração “é uma tendência estrutural da sociedade portuguesa”, afirmou em declarações à agência Lusa, sublinhando que “com agência ou sem agência, as pessoas sempre seguiram esse trilho quando as circunstâncias em Portugal” se tornaram mais difíceis.

O eurodeputado do PSD Paulo Rangel sugeriu na terça-feira a criação de uma agência nacional para ajudar os portugueses que queiram emigrar, considerando que essa pode ser uma “segunda solução” para quem não encontra trabalho em Portugal.

“Às tantas, nós até devemos pensar, se houver essas oportunidades, em, de alguma maneira, gerirmos esse processo. Talvez fosse uma forma de controlar os danos. Era ter, no fundo, uma agência nacional que pudesse eventualmente identificar necessidades e procurar ajustar as pessoas que tivessem vontade - não é forçar ninguém a emigrar, não se trata disso - e canalizar isso”, afirmou Paulo Rangel.

Questionado pelos jornalistas, à entrada para uma reunião do Conselho Nacional do PSD, num hotel de Lisboa, Paulo Rangel disse não ver “motivo para escândalo” nas declarações do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, sobre a emigração dos professores que não conseguem colocação nas escolas portuguesas.

No entender do ex-líder parlamentar do PSD, a posição assumida pelo primeiro-ministro, apontando a emigração como uma opção para essas pessoas, não devia suscitar escândalo: “Pelo contrário, ela devia suscitar um debate sério na sociedade portuguesa, para tentarmos, na medida do possível, acomodar as necessidades do País em termos de mercado de trabalho no exterior”.

Segundo Paulo Rangel, a emigração pode ser, não “uma primeira solução”, mas “uma segunda solução” para “pessoas que têm condições para isso, que ainda não têm a sua vida montada, que são mais jovens, mais ligados à aventura”, porque “pode ser uma forma de as pessoas terem rendimento, de terem uma experiência, de terem uma ligação ao País feita de outra maneira, de servirem também o país”.

O facto de se falar cada vez mais sobre emigração deve-se, segundo o sociólogo João Queirós, apenas a um aumento da atenção dada ao tema nos últimos meses.

“Apesar de haver este ressurgimento da atenção sobre o assunto, em virtude da situação económica e social e também da atenção que os políticos têm concedido ao tema, a verdade é que nos últimos anos, e em particular nos últimos 6 ou 7 anos, o fenómeno da emigração já tem sido uma presença muito forte no quotidiano de milhares de trabalhadores portugueses”, lembrou o sociólogo.

A Lusa contactou também o secretário de Estado das Comunidades para saber se a criação de uma agência para ajudar a emigrar é uma possibilidade que esteja a ser estudada, mas José Cesário preferiu não comentar o assunto, alegando não querer falar sem fazer uma análise detalhada.


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