Demissões da chefia das urgências do Hospital

Correia de Campos não comenta crise em Faro

Correia de Campos não comenta crise em Faro

 

Lusa / AO online   Nacional   5 de Nov de 2007, 10:07

O ministro da Saúde escusou-se a comentar a crise no hospital de Faro, onde 19 médicos se demitiram da chefia das urgências contra as "inaceitáveis" condições em que são atendidos os doentes que recorrem àquele serviço.
Correia de Campos recusou-se a responder às perguntas dos jornalistas, que o questionaram depois de intervir na sessão abertura do Encontro Europeu sobre Avaliação do Impacto na Saúde e nos Sistemas de Saúde, organizado pelo Instrituto Nacional de Saúde Pública Dr. Ricardo Jorge, no âmbito da Presidência Portuguesa da União Europeia.
A notícia da demissão dos 19 chefes das urgências do Hospital de Faro foi divulgada sexta-feira pelo bastonário da Ordem dos Médicos, que considerou que os utentes que se deslocam àquele serviço correm um "risco efectivo" devido às suas "inaceitáveis" condições.
O grupo apresentou a sua demissão na passada semana como forma de protesto contra as condições a que se submetem os doentes que recorrem ao serviço de urgência, mas continuam em funções até um prazo máximo de dois meses.
O chefe de equipa de Urgência na área da Medicina, Luís Pereira, foi o primeiro subscritor da carta entregue à Administração Regional de Saúde (ARS) do Algarve, à qual o grupo de médicos ainda não obteve resposta.
De acordo com Luís Pereira, a falta destes profissionais pode representar um duro golpe na organização do serviço, já que os chefes de equipa são os médicos mais experientes e concentram em si a coordenação das urgências.
A trabalhar há 27 anos naquela unidade hospitalar, o médico ressalvou que a demissão em bloco se prende com a "angústia" de ver como os doentes são tratados "sem as mínimas condições" nas urgências do HDF, sobrecarregadas sobretudo com idosos.
Na carta de demissão, os profissionais denunciam as condições "degradantes" em que se encontram os doentes nos corredores daquele serviço e o risco de infecção hospitalar a que estão sujeitos devido à proximidade física entre si.
"Macas contíguas em filas paralelas, onde sem um mínimo de respeitabilidade pela pessoa humana, homens e mulheres, lado a lado, são despidos, higienizados, alimentados, medicados", lê-se na carta.
Os 19 chefes de equipa subscritores da carta questionam ainda como poderão aceitar que os doentes sejam sujeitos a tão degradante situação e alertam para o "incrível" risco de infecção hospitalar, que contraria "todas as normas mínimas que deveriam ser respeitadas".
"Não podemos calar por mais tempo este sufoco que nos traz constantemente angustiados - isto não são condições de tratamento de seres humanos", concluem.
De acordo com Luís Pereira, se ao fim de um prazo de 60 dias não for comunicada nenhuma resposta por parte da ARS, a demissão é automática e terá que ser feito, por lei, um pedido individual de demissão.
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