Convite a Bento XVI para vir a Portugal foi enviado tarde


 

Lusa / AO online   Nacional   8 de Out de 2007, 16:03

O bispo de Leiria-Fátima, D.António Marto, admitiu hoje que o convite para que Bento XVI inaugurasse sexta-feira a nova Igreja da Santíssima Trindade foi feito "demasiado tarde" para a agenda sobrelotada do Pontífice.
    "O Papa não veio porque o pedido chegou tarde" e "deveria ter sido feito com um ano de antecedência", afirmou à agência Lusa D.António Marto, referindo-se ao facto do convite formal só ter sido feito em 2006.

    Por outro lado, a este atraso somaram-se os "problemas de agenda" causados por o Papa Bento XVI estar há pouco tempo à frente da Igreja e de na própria Diocese de Leiria-Fátima também se ter verificado uma mudança de bispos.

    Caso contrário, e em "circunstâncias normais", D. António Marto acredita que Bento XVI estaria em Fátima sexta-feira para encerrar as cerimónias comemorativas dos 90 anos das Aparições e para inaugurar a nova Igreja da Santíssima Trindade.

    "Fátima nunca mais perde a importância histórica que adquiriu dentro da Igreja" e exemplo disso é o facto de o próprio Vaticano ter pedido que as cerimónias se estendessem até domingo, já que o Papa irá fazer "uma referência" ao santuário português no final do Angelus.

    "Fátima adquiriu uma importância tal que não há retorno", considerou D.António Marto.

    As cerimónias que têm início sexta-feira serão presididas pelo número dois da hierarquia do Vaticano, o cardeal secretário de Estado Tarcísio Bertone, na condição de enviado pessoal do Papa.

    "Para mim, é um momento especial enquanto bispo da diocese porque é o encerramento das comemorações, com a presença de um cardeal que não é qualquer um, mas o próprio secretário de Estado do Vaticano", confessou D.António Marto.

    Para o bispo de Leiria-Fátima, Tarcisio Bertone é uma "pessoa muito ligada a Fátima e um anunciador da mensagem" mariana da Cova da Iria.

    Nesse sentido, a sua escolha é a "ideal" para marcar a "conclusão festiva das comemorações e a inauguração da nova igreja", tornando-se num "marco histórico" da ligação directa entre o Santuário e a Santa Sé.

    Posição semelhante tem D.Jorge Ortiga, presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), considerando que Fátima é o "sinal da unidade da Igreja" para o próximo milénio, até pela ponte de diálogo que faz com outras crenças cristãs.

    "Tenho a convicção de que Fátima não perdeu a importância que tem no contexto da Igreja" mesmo com a morte de João Paulo II, que era um devoto particular deste santuário.

    Para D.Jorge Ortiga, "a espiritualidade que se respira [no santuário] tem atraído muito mais gente" ao contrário do que "muitos pensavam", com a revelação da terceira parte do segredo ou a morte da Irmã Lúcia, a última vidente de Fátima.

    As cerimónias de encerramento das comemorações dos 90 anos das Aparições têm início terça-feira com a realização de um congresso teológico subordinado ao tema "Fátima para o século XXI".

    Durante três dias, teólogos, padres, bispos e historiadores vão discutir a importância do Santuário no contexto mundial actual bem como a relação de Fátima com o pontificado de João Paulo II.

    O dia 11 de Outubro vai ser marcado em particular pela intervenção de dois colaboradores directos do Papa polaco que irão abordar a sua relação com a terceira parte do segredo de Fátima.

    O encerramento do congresso caberá no dia 12 ao presidente da Congregação Para a Causa dos Santos, o cardeal Saraiva Martins, que irá abordar a importância dos Pastorinhos para a história da Igreja.
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