Tabagismo

Consultas cessação tabágica duplicam em Portugal


 

Lusa/AOonline   Nacional   7 de Nov de 2008, 10:45

O número de consultas de cessação tabágica "mais do que duplicou" desde que a Lei do Tabaco entrou em vigor no início deste ano, revelou à Lusa Agostinho Marques, pneumologista e director da Faculdade de Medicina do Porto.
"Só na região Norte, existem mais de uma centena consultas", afirmou Agostinho Marques, referindo que na sequência da discussão da Lei do Tabaco, e sua posterior entrada em vigor, houve "uma procura enorme dos doentes às consultas, que entretanto estabilizou".

    Segundo o pneumologista, que falava no âmbito das Jornadas de Patologia Respiratória, a decorrer no Porto, existe actualmente "um número suficiente" deste tipo de consultas, na medida em que "o fluxo de doentes é normal e não há lista de espera".

    Contudo, segundo salientou, os resultados obtidos nas consultas antitabágicas, são "modestos", situando-se entre os 25 e os 30 por cento os doentes que ao fim de um ano deixaram efectivamente de fumar.

    Em seu entender, os resultados poderiam ser superiores se alguns medicamentos, considerados eficazes no tratamento, fossem comparticipados.

    "O que acontece é que os fumadores vão à consulta, mas muitas vezes abandonam o tratamento porque ele é caro", frisou.

    Apesar da tendência apontar para "uma descida ligeira" no consumo de tabaco, a verdade é que "os portugueses continuam a ter muita dificuldade em deixar de fumar, não procuram as consultas e não cumprem os tratamentos", considerou.

    O pneumologista recordou que duas das doenças "mais graves e mais caras", o cancro no pulmão e a doença pulmonar crónica obstrutiva, estão relacionadas com o tabagismo.

    Segundo dados recentes, quase 90 por cento dos casos de cancro do pulmão são provocados pelo consumo de tabaco.

    As estatísticas indicam que o consumo de tabaco é responsável por 11,7 por cento das mortes em Portugal.

    Segundo Agostinho Marques mais de 40 por cento dos portugueses sofre de doenças respiratórias, sendo que o tabagismo é também uma das causas deste tipo de patologias.

    Em discussão nas jornadas estão a elevada prevalência das doenças respiratórias como a asma, que afecta cerca de 800 mil portugueses, a doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC) (500 mil) e a apneia do sono (400 mil).

    Agostinho Marques alertou para o facto dos doentes se automedicarem muito nas infecções respiratórias agudas.

    "Os pais utilizam indevidamente os antibióticos nas crianças, o que aumenta a sua resistência às bactérias e à toxicidade. Em situações de doença futura, esta habituação prejudica os tratamentos e a sua eficácia", considerou o especialista.

    O encontro científico conta com a presença de 400 médicos de família e tem como objectivo a partilha de casos e experiências clínicas, numa abordagem mais próxima do dia-a-dia clínico.

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