Construção civil "apreensiva" com falta de obras públicas

Construção civil "apreensiva" com falta de obras públicas

 

Lusa/Ao online   Regional   26 de Out de 2013, 11:16

O presidente da associação de construção civil dos Açores disse sexta-feira que está "apreensivo" por estarem por realizar 75 por cento de 84 milhões de euros do volume de obras públicas previstas até final de 2013.

“Embora em termos de concursos o grau de execução seja bastante bom, temos dois meses e meio para lançar uma taxa de execução bastante elevada, que rondaria os 65 por cento do valor da Carta de Obras Públicas Regionais (CROP) ”, referiu o presidente da Associação dos Industriais de Construção Civil e Obras Públicas dos Açores (AICOPA), Pedro Marques.

A CROP "pretende ser um instrumento de planeamento e gestão estratégica para as empresas do setor da construção civil e projetos, facultando informação sobre a previsão das obras públicas que o Governo Regional pretende levar a cabo na presente legislatura".

O responsável da AICOPA, que hoje esteve reunido em Ponta Delgada com o presidente do Governo Regional dos Açores, adiantou que Vasco Cordeiro assegurou que é possível alcançar essa taxa de execução, garantindo que está a “trabalhar intensamente” para esse objetivo.

Pedro Marques frisou também que o setor está “preocupado” com 2014, devido à mudança de Quadro Comunitário de Apoio (QCA).

O presidente da AICOPA defendeu a necessidade de um acompanhamento “profundo”, “próximo” e “intenso” das negociações do QCA e da garantia de entrada de verbas dos fundos comunitários, por forma a não “ficar comprometido investimento” ao longo do próximo ano.

“Foi-nos dada tranquilidade por parte do presidente do Governo dos Açores, que referiu que, embora não haja efetivamente controlo total sobre esta situação, se está a desenvolver todos os esforços neste sentido”, sublinhou Pedro Marques.

O presidente da AICOPA referiu ainda que não pode “aceitar de ânimo leve” o fim do ‘ciclo do betão’, salvaguardando que “nem se percebe bem” o que significa a expressão, uma vez que “não se constroem obras para o setor da construção” mas para os utilizadores das mesmas.

“O que dirá sobre esse assunto a população da Povoação, que ainda não tem a sua ligação às SCUT, as pessoas que moram ao pé do mar e que todos os anos veem o mesmo entrar pela casa dentro, ou as crianças que ainda não têm creche e os idosos sem lar, bem como os moradores que vivem junto das ribeiras e, sobretudo, os 11 mil desempregados gerados pelo nosso setor”, questionou.

Pedro Marques disse ainda que é aceitável uma “moderação” na construção por dificuldades conjunturais, mas que essa moderação revela “falta de noção das dificuldades” dos setores.

Em 2003, o consumo do cimento nos Açores era de 253 mil toneladas contra 99 mil toneladas nos três primeiros trimestres de 2013, enquanto os postos de trabalho caíram de 18 mil em 2003 para 6.000 no corrente ano.


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