Açoriano Oriental
Congresso dos EUA iniciou audiências públicas para a destituição de Trump

O Congresso norte-americano iniciou as audições públicas do inquérito para a destituição de Donald Trump, ouvindo duas figuras relevantes do Departamento de Estado acerca de alegada pressão sobre um líder estrangeiro para proveito do Presidente norte-americano.

article.title

Foto: EPA/MICHAEL REYNOLDS
Autor: Lusa/AO Online

As audiências públicas do processo de ‘impeachment’ estão a ser transmitidas em direto por vários canais televisivos norte-americanos, mas a Casa Branca já informou que o Presidente não está a assistir aos trabalhos no Congresso, porque “está a trabalhar”.

William Taylor, o principal diplomata na Ucrânia, e George Kent, funcionário sénior do Departamento de Estado são as duas primeiras testemunhas nas audições públicas do inquérito para destituição, em que o Partido Democrata procurará demonstrar a sua tese de que Trump abusou do exercício de poder no exercício do cargo.

William Taylor apresentou factos que estão na base da argumentação para o inquérito para a destituição: a retenção de cerca de 400 milhões de dólares (quase 400 milhões de euros) de ajuda militar à Ucrânia, até que o Presidente desse país da Europa de Leste aceitasse investigar a investigar a atividade da família de Joe Biden, ex-vice-Presidente e atual rival político do Presidente norte-americano.

Na sua declaração inicial, o presidente do comité de inteligência da Câmara de Representantes, Adam Schiff, mencionou o papel relevante de Rudolph Giuliani, advogado do Presidente, na pressão sobre o Presidente ucraniano para que investigasse um alegado caso de corrupção envolvendo um filho de Joe Biden, criando um canal diplomático paralelo e ilegal nas relações com outros países.

Schiff criticou ainda Trump por se ter recusado a cooperar com o inquérito para a destituição, dizendo que o Congresso considerará se houve obstrução de justiça por parte da Casa Branca, o que poderá constituir novo terreno para o processo de ‘impeachment’.

Sobre o caso ucraniano, William Taylor disse que Donald Trump tinha uma política para com a Ucrânia mais competente do que aquela conduzida pelo seu antecessor, Barack Obama, mas que o atual Governo deitou por terra essa estratégia, por razões políticas domésticas, referindo-se ao pedido de investigação a Joe Biden.

Taylor disse que ficou surpreendido por Trump ter ordenado uma suspensão ao apoio financeiro à Ucrânia, que poderia ser por tempo indeterminado, para garantir que o Governo ucraniano investigaria o caso de corrupção envolvendo Hunter Biden, filho de Joe Biden, atual candidato nas eleições primárias do Partido Democrata.

O principal diplomata norte-americano na Ucrânia explicou que vários membros da administração tentaram convencer Trump a levantar a suspensão da ajuda financeira à Ucrânia, mas que o Presidente demorou muito a autorizar a transferência de dinheiro (que apenas ocorreria um mês depois do telefonema ao Presidente ucraniano).

Taylor disse ainda que funcionários da Casa Branca ouviram Donald Trump falando ao telefone com diplomatas a quem interrogava sobre o avanço das investigações à empresa ucraniana a que esteve ligado o filho de Joe Biden.


Regional Ver Mais
Cultura & Social Ver Mais
Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
Consulte os termos e condições de utilização e a política de privacidade do site do Açoriano Oriental.