Especialistas garantem que achados arqueológicos na Terceira não são anteriores ao povoamento português

Especialistas garantem que achados arqueológicos na Terceira não são anteriores ao povoamento português

 

Lusa / AO online   Regional   19 de Out de 2013, 17:14

A comissão de especialistas, constituída pelo Governo Regional dos Açores para estudar alegados achados arqueológicos na ilha Terceira, considerou que as estruturas identificadas não são anteriores ao povoamento, mas recomendou que sejam classificadas.

 

"Em termos histórico-arqueológicos, nenhuma das construções observadas nos diferentes locais visitados evidencia uma datação anterior ao povoamento quatrocentista dos Açores", frisou, hoje, numa conferência de imprensa, em Angra do Heroísmo, o arqueólogo Cláudio Torres, presidente da comissão.

O grupo de 13 especialistas de arqueologia, história e geologia visitou durante uma semana zonas identificadas por outros cientistas como potenciais achados arqueológicos no Monte Brasil e na Grota do Medo, na ilha Terceira, tendo ainda observado as curraletas da Mata da Serreta, as relheiras de São Brás e a costa das Quatro Ribeiras, na mesma ilha.

Cláudio Torres salientou que o trabalho dos especialistas não foi um "estudo exaustivo nem definitivo", admitindo que possam haver "opiniões diferentes", mas reforçou que o relatório apresentado ao Governo foi "unânime" e que não houve dúvidas.

Do ponto de vista geológico, as estruturas da Grota do Medo são explicadas, segundo o presidente da comissão, por um "processo natural primário ou secundário" e, do ponto de vista histórico-arqueológico, "não foram observados quaisquer indícios de pré-existências às construções anteriormente referenciadas".

De acordo com Cláudio Torres, as estruturas encontradas no Monte Brasil tinham funcionalidades de natureza militar, dos séculos XVI e XX, enquanto os da Quinta da Pateira, na Grota do Medo, tinham usos lúdicos, no século XIX, tendo a área envolvente sido também utilizada como local de extração de pedra por métodos tradicionais.

A comissão entendeu que "não é adequada, nem aconselhável, uma abordagem de natureza arqueológica que recorra a métodos de diagnóstico intrusivo para estabelecer datação das ocorrências identificadas".

No entanto, reconheceu a importância patrimonial do sítio identificado na Grota do Medo, recomendando que os objetos sejam "protegidos, designadamente através de uma eventual classificação".

O secretário regional da Educação, Ciência e Cultura, Luiz Fagundes Duarte, anunciou que o Governo Regional "vai abrir o processo de classificação daqueles objetos e daqueles locais, nos termos da lei de bases do património cultural e da legislação regional sobre a matéria".

"Não faz sentido investir dinheiros públicos em eventuais escavações até porque a comissão recomenda que isso não seja feito", frisou, em declarações aos jornalistas, admitindo, no entanto, a possibilidade de abrir um "espaço de investigação científica" para bolseiros de doutoramento, nas áreas da história e da arqueologia.

Os cientistas que identificaram os alegados achados históricos não foram ouvidos pela comissão, segundo Cláudio Torres, porque os especialistas receberam uma "compilação exaustiva de todas as informações técnicas, pareceres, requerimentos e recortes de imprensa" sobre esta matéria.

Para Luiz Fagundes Duarte, "essas pessoas foram ouvidas e serão ouvidas sempre que necessário", nomeadamente no âmbito do processo de classificação da Quinta da Pateira.

O secretário regional acrescentou que as pessoas que identificaram os locais não integraram a comissão porque não eram formados nas três áreas de investigadores escolhidas, história, arqueologia e geologia.

"Isto é uma comissão científica, não é uma comissão de amadores", adiantou, salientando, no entanto, que "a comissão funcionou em total independência, sem qualquer interferência em qualquer sentido do Governo".


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