Cimeira Iberoamericana discute o seu próprio futuro e prevê redução de encontros


 

Lusa/AO Online   Economia   18 de Out de 2013, 08:34

A XXIII Cimeira Ibero-americana começa esta sexta-feira no Panamá com discussões sobre seu próprio futuro, que vão desde a redução na periodicidade dos encontros até uma mudança na contribuição financeira dos países.

 

"Estamos a discutir um documento que propõe reformas, queremos reformar a secretaria-geral, torná-la mais enxuta, mais ágil, e também criar sinergias, uma organização maior entre os órgãos [ibero-americanos já existentes]", afirmou à Lusa uma fonte diplomática brasileira que participa nas negociações.

A intenção, segundo o diplomata, é reunir os cinco órgãos ibero-americanos que foram criados ao longo dos últimos 50 anos, voltados para cooperação em áreas específicas como cultura, educação e justiça, e fazê-los funcionar como uma organização maior, "sob um mesmo guarda-chuva", com mais comunicação e cooperação.

A mesma fonte sublinhou que a Ibero-americana precisa ela própria de ser reformada, após uma inversão no cenário mundial e a criação de novos foros de discussão latino-americanos, que passaram a ser mais relevantes para a região.

"Quando foi criada, na década de 1990, [a Cimeira] tinha uma importância política muito grande porque era a primeira organização em que Cuba podia participar, tornou-se um fórum importante de discussão, principalmente para as nações latino-americanas", recordou.

Mais de 20 anos depois, no entanto, o cenário é diferente e a criação de instituições como a União das Nações Sul Americanas (Unasul), em 2008; e especialmente da Comunidade dos Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac), em 2010, reduziu o peso da cimeira.

A ideia é transformar a reunião, realizada anualmente, num encontro bienal, em alternância com a Cimeira Celac-União Europeia, para evitar um "excesso de cimeiras".

O primeiro encontro entre chefes de Estado e Governo da Celac e União Europeia ocorreu em janeiro deste ano, com a segunda edição prevista para 2015.

Entre as propostas de mudança, figura ainda uma possível alteração na estrutura do financiamento da organização, que atualmente conta com 70 por cento de contribuição da parte de Espanha e Portugal e 30 por cento de depósitos latino-americanos.

A proporção, que fazia sentido quando a Secretaria ibero-americana foi criada, em 1992, quando os estados latino-americanos mal se recuperavam da crise da dívida externa, nos anos 1980, tornou-se desproporcional face à nova situação económica das duas regiões.

 


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