Cientistas querem digitalizar funcionamento do cérebro para procurar curas

Cientistas querem digitalizar funcionamento do cérebro para procurar curas

 

Lusa/AO online   Internacional   10 de Out de 2012, 15:36

Cientistas estão a utilizar modelos matemáticos para "digitalizar", num computador, o funcionamento do cérebro, dos neurónios e das suas ligações, para tentar solucionar problemas que originam doenças, afirmou esta quarta-feira um especialista em neurociência computacional.

Idan Segev, da Universidade Hebraica de Jerusalém, está em Lisboa a participar numa conferência sobre o cérebro, organizada pela Fundação Calouste Gulbenkian, e explicou que o objetivo é "fazer reengenharia invertida", ou seja, partir da "máquina" para chegar ao seu início, pois "não existe o projecto de construção" do cérebro humano.

Representar a atividade da totalidade do cérebro, com os milhares de neurónios e sinapses (ligações entre neurónios), numa imagem "animada" de simulação no computador, "exige um conjunto de equações matemáticas", explicou o especialista.

Esta representação é o objetivo do The Blue Brain Project, no qual participa, e que já está a utilizar um computador "muito potente" para seguir a atividade de uma parte diminuta do cérebro (de ratinhos), mostrando, num conjunto muito colorido, as várias ligações e neurónios.

"O computador faz 20 mil processamentos em simultâneo com 100 mil células reais e não temos um computador [com capacidade] para a simulação de todo o cérebro", avançou Idan Segev.

"Estamos num ponto [da investigação] em que temos todas as estradas de ligação do cortex", acrescentou.

O investigador explicou que pretende compreender o funcionamento cerebral e as doenças. Com este trabalho "podemos fazer a comparação entre as células e ligações de um cérebro doente [de ratinho] e de outro sem patologia", referiu.

Com a modulação do cérebro no computador, os cientistas partiriam para a réplica digital da doença e poderiam "manipular parâmetros para obter a solução para o problema".

Idan Segev espera que, em 2030, já seja possível simular o cérebro humano em computador.

Quanto ao facto de a investigação estar a ser realizada em ratinhos, Idan Segev recordou que "a maior parte dos medicamentos que as pessoas tomam começaram por ser desenvolvidos em laboratório, em ratinhos".

Como reconheceu, os cientistas não estão todos de acordo acerca deste estudo e desta forma de tentar compreender o funcionamento do cérebro humano.

Luís Moniz Pereira, perito em inteligência artificial da Faculdade de Ciência e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, também a participar na conferência, apresentou algumas dúvidas acerca da possibilidade de simular a atividade do cérebro humano, desde a exigência de um elevado financiamento (mil milhões de euros) até à questão "técnica".

"Os informáticos não acreditam ser possível" seguir a atividade do cérebro "ao nível e velocidade a que funciona", referiu.


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