Ambiente

China anuncia plano para reduzir poluição durante Jogos

Pequim revelou um conjunto de medidas de última hora para combater o nevoeiro de poluição que persiste em ensombrar a capital chinesa a pouco mais de uma semana dos Jogos Olímpicos.


As autoridades chinesas vão fechar mais fábricas, reduzir ainda mais o número de viaturas na capital e nas cidades vizinhas e interromper os trabalhos em todos os locais de construção, afirmou o Ministério de Protecção Ambiental, num comunicado divulgado na Internet.

    “Perante condições climáticas extremamente desfavoráveis, existem medidas de emergência”, referiu o comunicado, pormenorizando um plano de emergência que já tinha sido anunciado no início da semana se as condições atmosféricas piorassem.

    O vento e a chuva ajudaram a afastar algum nevoeiro com melhorias significativas na qualidade do ar no início da semana, mas Pequim voltou a acordar hoje com uma densa camada de nevoeiro a pouco mais de uma semana do arranque dos JO.

    As autoridades não querem correr riscos de ter uma cerimónia de abertura com chuva a marcar o início do evento desportivo do ano e uns Jogos envoltos em nevoeiro, por isso, o plano de emergência vai avançar.

    O Ministério de Protecção Ambiental disse que vai encerrar mais 222 fábricas em Pequim, na província vizinha de Hebei e na cidade de Tianjin se as más condições atmosféricas se mantiverem.

    Os automóveis cujo último dígito da matrícula coincide com o último algarismo da data não poderão circular em Pequim, referiu o comunicado.

    As medidas que restringem o trânsito também serão implementadas nas cidades de Tianjin e da província de Hebei.

    Todas as actividades de construção vão ser interrompidas, acrescentou o documento.

    Segundo um estudo do Ministério do Ambiente chinês, em Junho de 2007 a concentração média de substâncias poluentes por metro quadrado nas maiores cidades chinesas, incluindo Pequim, era de 0,053 miligramas de dióxido de enxofre, 0,035 miligramas de dióxido de nitrogénio e 0,1 miligramas de partículas em suspensão, resultantes do trânsito automóvel e da actividade industrial.

    Pequim já tomou medidas enérgicas para reduzir a poluição devido à pressão do Comité Olímpico Internacional e às fortes críticas de atletas e grupos ambientalistas.

    A medida anti-poluição mais drástica foi a recente imposição da circulação alternada de matrículas par e ímpar, que retirou das estradas um milhão dos 3,3 milhões de viaturas que circulam todos os dias em Pequim.

    No mesmo dia em que a norma de circulação entrou em funcionamento, a 20 de Julho, 100 das empresas mais poluentes e vários locais de construção civil foram também encerrados.

    “Estamos no bom caminho para satisfazer as promessas que fizemos de assegurar uma boa qualidade do ar para os Jogos Olímpicos”, afirmou recentemente Du Xiaozhong, subdirector do departamento de protecção ambiental de Pequim.

    Mas o plano inicial não atingiu todos os objectivos e a qualidade do ar piorou, com o nevoeiro e a falta de sol a manterem-se na capital.

    As medidas de emergência serão implementadas assim que os meteorologistas constatarem com 48 horas de antecedência que as condições atmosféricas vão estagnar.

    A Organização dos Jogos avisou Pequim várias vezes que provas como a maratona poderiam ser adiadas ou canceladas se os níveis de poluição se mantivessem elevados.

    De acordo com Du, a China gastou mais de 20.000 milhões de dólares (12.850 milhões de euros) desde 1998 para tornar Pequim menos agressiva para o ambiente.

    Mas o clima também pode complicar os planos de Pequim.

    Nos meses de Verão da capital é comum um fenómeno conhecido como “inversão”, que coloca um capacete de poluição sobre a cidade, porque a atmosfera estagna devido à falta de vento.

    A capital chinesa e as zonas circundantes apresentam dos piores níveis de dióxido de nitrogénio do Mundo, segundo imagens de satélite captadas pela Agência Espacial Europeia em 2005.
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