Açoriano Oriental
Chega/Convenção: Moções para todos os gostos e maioria contra o Conselho de Jurisdição

Os militantes do Chega apresentaram hoje 34 moções ou propostas de alteração dos estatutos para todos os gostos, convergindo muitos na censura ou desconfiança para com o Conselho Nacional de Jurisdição, órgão disciplinar e fiscalizador do partido.

Chega/Convenção: Moções para todos os gostos e maioria contra o Conselho de Jurisdição

Autor: AO Online/ Lusa

Na II Convenção Nacional, em Évora, foram cinco as moções de desconfiança e censura àquele organismo dirigido por Fernanda Marques Lopes, “debaixo de fogo” em muitos dos discursos do primeiro dia de trabalhos.

 “Processos conduzidos e decididos de forma leviana, simplista e economicista, sem qualquer rigor processual e sem o devido contraditório e a devida fundamentação, em claro compadrio com os interesses e amizades e uma postura prepotente e promíscua”, foram várias das acusações dos textos apresentados.

Também sobre a vida interna do partido com ainda menos de dois anos de vida houve outras duas moções: a de Luís Paulo Fernandes, uma moção de desconfiança ao presidente da direção e presidente da mesa da distrital de Leiria e respetivo pedido de processo disciplinar para ambos, com vista à retirada da confiança política e suspensão da militância, outra, de Ana Cristina Silva, pela convocação e realização de eleições para as secções concelhias dentro de um mês.

Ideologicamente, deu nas vistas Rui Roque, 44 anos e natural de Estói, Algarve, que já foi conselheiro nacional, líder da distrital algarvia e candidato a deputado e ao Parlamento Europeu pelo Partido Nacional Renovador (PNR) e, posteriormente, diretor de campanha distrital da Aliança.

“Desde 1974, o que temos é a tirania socialista. E tem de ser combatida. Tem de ser restituída a honra aos portugueses. Não pode continuar a ser apresentada a sua história às gerações mais novas como algo que nos deve envergonhar, mas antes algo de que nos devemos orgulhar enquanto povo. Um povo que liderou o mundo no caminho do avanço tecnológico, que ligou continentes, sob o estandarte da Ordem de Nosso Senhor Jesus Cristo”, disse o licenciado em gestão e engenharia mecânica.

Uma das suas propostas é “restabelecer o serviço militar obrigatório já, para mulheres e homens, com um período de incorporação mínimo de seis meses, ficando os cidadãos sempre nos quadros da reserva territorial ativa até aos 55 anos”.

Já Jorge Rodrigues de Jesus, apresentou uma moção para a “ilegalização dos partidos de inspiração marxista (por exemplo, PCP ou BE) e outra sobre a Europa.

“O Chega é contra esta União Europeia marxista e, se não mudar, Portugal tem de sair. Não aceitamos uma aliança da Europa com inúmeros ditadores terceiro-mundistas do Islão porque é incompreensível e inaceitável. Não aceitamos uma imigração descontrolada como forma de reembolso de uma falsa dívida histórica”, defendeu.

Outros militantes, António Ferreira e Miguel Nunes Silva, afirmaram que “acreditar no jornalismo nacional é não acreditar na realidade”.

“Trump nunca foi eleito, Brexit nunca aconteceu – e a acontecer mergulharam os mercados uma grande crise económica – o vandalismo e intimidação nas ruas das grandes cidades não vem dos arrastões ou de certos bairros sociais aonde a polícia não se atreve a entrar, mas sim de gangues de neonazis pois, afinal, Portugal é um país racista”, ironizam no texto.

Estes militantes do Chega dizem-se adeptos do “mercado livre, pelo que se a falida SIC ou a promíscua TVI - sempre a mudar de mãos e eternamente obrigada a expulsar jornalistas e comentadores incómodos – querem fazer da propaganda o seu negócio, pouco” terão a dizer.

“Aquilo que é inadmissível é que a RTP – paga com os nossos impostos – emita propaganda marxista. São documentários da RTP2 que desprezam o capitalismo, são pseudo-jornalistas na RTP1 que difamam o Chega. Isto tem de acabar, de uma vez por todas, e propomos aos colegas e à direção, que passe a fazer parte do nosso programa a privatização da RTP”, lê-se no texto.

Mais pragmático foi Durval Cardoso Padrão que propôs a criação de “uma lista nacional de maus arrendatários” e que “o despejo por falta de pagamento deve ser rápido (entre 15 a 30 dias)”.

Outro “colega” do Chega, Samuel Silva, apresentou o texto “Portugal mais justo e sem vícios” e apregoou “uma triagem de possíveis infiltrados do atual sistema” no partido.

“Não podemos consentir que haja militantes em direções ou em listas de delegados, que fizeram campanhas políticas em quatro ou cinco partidos diferentes, todos eles de esquerda ou extrema esquerda nos últimos 10 anos”, afirmou.

Sérgio Carvalho sugeriu uma iniciativa no sentido de que “qualquer dirigente politico (local, regional ou nacional) no exercício das suas funções no Chega seja impedido de exercer qualquer função em direções e/ou SAD do futebol profissional” e um período de nojo de seis meses entre aquelas funções.

Noutras moções foi defendido que “este covid não existe”, “não vamos em estórias” e “nós queremos escrever a História” ou a proibição do “caravanismo selvagem”.

Filipe Manuel Duarte Carvalho condenou “tudo o que é clandestino, ou seja, onde podem pernoitar nas falésias e nas praias devido à pouca fiscalização, por falta de meios humanos da Guarda Nacional Republicana e do Instituto da Conservação da Natureza e Florestas CNF, e até onde podem roubar água em torneiras publicas ou privadas, vandalizando muitas das vezes os respetivos pontos de abastecimento”.


 
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