Autárquicas

Chega conquista câmara na Madeira e coligação PSD/CDS-PP renova maioria no Funchal

A conquista da Câmara de São Vicente pelo Chega e a renovação da maioria absoluta pela coligação PSD/CDS-PP no Funchal foram os resultados mais relevantes das autárquicas na Madeira, marcadas também pela demissão do líder regional do PS



De acordo com os dados provisórios divulgados pelo Ministério da Administração Interna, o Chega venceu em São Vicente, no norte da ilha da Madeira, com 49,23%, contra 38,93% da coligação PSD/CDS-PP, que liderava o município, sinalizando a entrada do partido de extrema-direita na governação autárquica na região autónoma.

José Carlos Gonçalves é o novo presidente da autarquia, sendo o executivo agora composto por três eleitos do Chega e dois da coligação PSD/CDS-PP.

O Chega venceu nas três freguesias do concelho e tem maioria absoluta na Assembleia Municipal, com oito deputados, órgão que conta também com seis representantes do PSD/CDS-PP e um do PS.

No Funchal, o município mais populoso dos 11 da região autónoma, com 108.129 habitantes, a coligação PSD/CDS-PP renovou a maioria absoluta (41,34%), vencendo também nas dez freguesias, e colocou o social-democrata Jorge Carvalho na liderança do executivo.

O ex-secretário da Educação, Ciência e Tecnologia, cargo que desempenhou entre 2015 e 2025 em executivos liderados por Miguel Albuquerque, lidera agora uma equipa camarária em que tem seis eleitos do PSD.

O JPP ficou em segundo lugar (19,05%), com dois vereadores, o Chega em terceiro (14,76%), também com dois, e o PS, que liderava a oposição com cinco eleitos, ficou em quarto lugar, (12,80%) apenas com um representante.

O mau resultado eleitoral do PS, que também perdeu a Câmara da Ponta do Sol, uma das três que detinha no arquipélago, para a coligação PSD/CDS-PP, motivou a demissão do líder regional, Paulo Cafôfo.

A liderança dos 11 municípios da Madeira fica agora distribuída por cinco forças partidárias, com o PSD à cabeça, tendo vencido em dois concelhos com listas individuais (Calheta e Câmara de Lobos) e noutros quatro em coligação com o CDS-PP (Funchal, Ponta do Sol, Ribeira Brava e Porto Santo).

O CDS-PP venceu sozinho em Santana, o PS manteve Machico e Porto Moniz, o JPP segurou Santa Cruz e o Chega entrou pela primeira vez da liderança autárquica ao conquistar São Vicente.

Duas mulheres foram eleitas presidentes de câmara nestas eleições: Doroteia Leça (PSD), na Calheta, e Élia Ascensão (JPP), em Santa Cruz.

Na Ponta do Sol, o PS perdeu a governação que detinha há oito anos, tendo a coligação PSD/CDS-PP derrotado a socialista Célia Pessegueiro, numa lista encabeçada pelo social-democrata Rui Marques, que foi presidente daquele município na zona oeste entre 2005-2017.

Neste concelho, um dos três que era detido pelos socialistas desde 2013, a coligação PSD/CDS-PP elegeu três vereadores, com 53,63% dos votos, e o PS assegurou dois eleitos, com 39,41%.

Já no concelho do Porto Moniz, na costa norte da Madeira, os socialistas mantiveram a liderança da autarquia, sendo que a presidência passa agora para Olavo Câmara, filho do atual chefe do executivo camarário, Emanuel Câmara, que atingiu o limite de mandatos e vai ocupar o lugar de deputado na Assembleia da República.

O PS obteve 55,96% e garantiu três elementos na vereação, ao passo que a coligação PSD/CDS-PP, com 38,25 %, elegeu dois vereadores.

Em Machico, na zona leste da ilha, o PS, com uma lista liderada por Hugo Marques, também manteve a liderança da autarquia, que detém desde 2013, vencendo com 43,43% (quatro vereadores), seguindo da coligação PSD/CDS-PP com 35,07% (três vereadores).

Na Calheta, na zona oeste da ilha, o PSD concorreu com lista individual, encabeçada por Doroteia Leça, e voltou a ganhar, com 65,12%, assegurando seis elementos no executivo, ao passo que o JPP ficou em segundo lugar, posição antes ocupada pelo PS, com 13,91% e um vereador.

Os sociais-democratas venceram também em Câmara de Lobos, concelho contíguo ao Funchal a oeste, autarquia que lideram desde sempre e onde obtiveram 60,16% dos votos (cinco vereadores), seguindo do Chega (12,32 %, um vereador) e do JPP (10,62%, um vereador). O executivo será agora liderado por Celso Bettencourt.

Na Ribeira Brava, a coligação PSD/CDS-PP, encabeçada por Jorge Santos, obteve 51,60% dos votos e elegeu cinco vereadores, ao passo que o movimento Ribeira Brava em Primeiro, que liderava a autarquia, elegeu dois vereadores, com 29,55% dos votos.

Em Santana, na costa norte da Madeira, o CDS-PP voltou a ganhar, com 63,95 %, mantendo a autarquia que lidera desde 2013.

O executivo de Santana, chefiado por Dinarte Fernandes, fica composto por quatro elementos do CDS-PP e um da coligação PSD/CDS-PP, sendo que os democratas-cristãos venceram também nas seis freguesias do concelho.

O JPP, encabeçado por Élia Ascensão, segurou a Câmara Municipal de Santa Cruz, onde governa desde 2013, obtendo 47,00% dos votos, com quatro vereadores, seguindo da coligação PSD/CDS-PP, com 35,26% e três vereadores.

O JPP voltou a vencer também nas cinco freguesias que compõem o concelho, onde surgiu como movimento de cidadãos em 2009, sendo hoje o maior partido da oposição madeirense, com 11 deputados na Assembleia Legislativa, e tem um eleito na Assembleia da República.

Na ilha/concelho do Porto Santo, venceu a coligação PSD/CDS-PP, com 56,16%, e o social-democrata Nuno Batista foi reconduzindo na presidência do executivo, agora composto por três elementos da coligação e dois do movimento UNE – Uma Nova Esperança, que obteve 28,84% dos votos.

Os cadernos eleitorais indicam que a Região Autónoma da Madeira tem 255.975 eleitores inscritos, dos quais 104.484 no concelho do Funchal.

Nestas eleições votaram 138.890 pessoas na região, o que representa 54,60% do total de inscritos.

O PSD sempre foi o partido mais votado na Madeira e chegou mesmo a governar todos os concelhos do arquipélago (1979, 1982, 1985, 2001, 2005 e 2009), quando o partido era liderado por Alberto João Jardim.

No total da região, considerando apenas as 11 câmaras municipais, a coligação PSD/CDS-PP venceu estas autárquicas com 32,63% e 27 eleitos, seguindo do JPP (18,09%, oito eleitos), PS (13,38%, 10 eleitos), PSD (11,65%, 12 eleitos), Chega (11,31%, seis eleitos), CDS-PP (2,83%, quatro eleitos) e o movimento UNE (2,43 %, quatro).


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