Checos admitem «faltar» à Cimeira UE-África

Checos admitem «faltar» à Cimeira UE-África

 

Lusa/AO online   Internacional   17 de Out de 2007, 12:13

A República Checa também pondera não se fazer representar ao mais alto nível na Cimeira UE-África, prevista para 8 e 9 de Dezembro em Lisboa, caso o presidente do Zimbabué, Robert Mugabe, esteja presente, disse um responsável do governo de Praga.
     "Baixar o nível da nossa participação (na Cimeira) é uma opção em aberto", afirmou o vice-primeiro-ministro checo, Alexander Vondra, numa reunião com um grupo de jornalistas europeus, entre os quais o Expresso, que publica hoje as declarações do responsável checo na sua edição "on-line".

    Tal como o Reino Unido, que já anunciou que não estará presente ao mais alto nível na Cimeira se Mugabe estiver, Praga também admite participar mas baixando o nível político da sua representação, e a justificação é a mesma de Londres: a recusa em compactuar com as violações dos direitos humanos cometidas pelo regime de Mugabe.

    Fonte da presidência portuguesa da UE contactada pela Lusa disse desconhecer uma ameaça de ausência da República Checa, apontando que até ao momento só o Reino Unido assumiu tal posição.

    Segunda-feira, na reunião de chefes de diplomacia dos 27 no Luxemburgo, o ministro dos Negócios Estrangeiros britânico assegurou hoje que Londres está empenhada na realização da Cimeira UE-África, mas reafirmou a ausência do Reino Unido, se Mugabe se deslocar a Lisboa.

    David Miliband sublinhou que o Reino Unido está "determinado em trabalhar de forma muito cooperante com a actual liderança portuguesa da UE para que seja uma cimeira muito bem sucedida", mas considerou que tal não será possível se o presidente do Zimbabué estiver presente, pois a reunião "será apenas um circo mediático, se Mugabe for".

    Questionado sobre se outros países europeus poderão seguir o exemplo britânico, afirmou que "cabe aos outros Estados-membros decidir".

    A presidência portuguesa, apoiada pela Comissão Europeia, tem defendido que "nada justifica" um novo adiamento da II Cimeira UE-África (a primeira realizou-se há sete anos), sublinhando que não se trata de uma cimeira UE-Zimbabué.

    Numa entrevista ao l'Express datada de 18 de Outubro, o primeiro-ministro e presidente em exercício da UE, José Sócrates, afirmou que a presidência está a trabalhar diplomaticamente para que "ninguém abandone o seu lugar" na cimeira.

    "Mesmo os que exprimem uma legítima intransigência sobre a questão dos direitos do homem devem compreender que esta cimeira é justamente necessária para se melhorar essa situação", acrescentou, numa alusão ao primeiro-ministro britânico, Gordon Brown.
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