Açoriano Oriental
CGTP "extremamente preocupada" com consequências da saída de trabalhadores
O dirigente da CGTP nos Açores manifestou-se esta sexta-feira "extremamente preocupado" com as consequências que "ainda podem resultar", para a ilha Terceira e para a economia dos Açores, do início da saída de trabalhadores portugueses da base das Lajes.
CGTP "extremamente preocupada" com consequências da saída de trabalhadores

Autor: Lusa/AO Online

 

“Como dirigente sindical não só da CGTP, mas que tem acompanhado esse processo já há praticamente 14 anos, esta é uma altura difícil, um momento muito mau para mim enquanto dirigente sindical e estou extremamente preocupado com as consequências que ainda podem resultar dessa situação”, afirmou Vítor Silva aos jornalistas, após uma audiência no Palácio de Santana com o presidente do Governo Regional dos Açores.

Cerca de quatro dezenas de trabalhadores formam hoje o primeiro grupo de funcionários portugueses a deixar a base das Lajes, na ilha Terceira, depois de terem assinado rescisões por mútuo acordo.

Até março, segundo a comissão de trabalhadores, este número deverá crescer para perto de quatro centenas, com a saída faseada, quinzenalmente, dos trabalhadores, no âmbito da redução da presença norte-americana na base portuguesa.

Para Vítor Silva, a situação é preocupante porque em causa está “a perda de 350 postos de trabalho”, o que considerou “muito significativo” para a ilha Terceira e para os Açores.

“Para além desses que vão ser afetados diretamente, existem centenas de outros que a partir de hoje vão sofrer também consequências dessa situação”, salientou o dirigente sindical, para quem, “em termos gerais, o que foi feito nos últimos tempos era efetivamente aquilo que podia ser feito, mas tudo o que foi feito para trás foi muito mal feito”.

Segundo o responsável, esta situação só aconteceu porque não se conseguiu precaver a tempo muitos destes casos, apesar de a CGTP ter apresentado há anos propostas que poderiam ter evitado o atual cenário. Como exemplo, apontou o facto de desde 2003 a CGTP defender a ideia de criação de um contingente mínimo de trabalhadores portugueses na base das Lajes.

O presidente da Comissão Representativa dos Trabalhadores (CRT) portugueses da base das Lajes, Bruno Nogueira, já disse à Lusa que o processo "parece bem encaminhado" e que os trabalhadores que aceitaram sair "sentem que este é o passo lógico".

As rescisões por mútuo acordo já terão sido todas assinadas, apesar de a CRT não saber ao certo se os 421 trabalhadores a quem foi proposto o acordo aceitaram assiná-lo.

Na última reunião da Comissão Bilateral Permanente entre Portugal e os Estados Unidos da América (EUA), realizada, em Washington, a 17 de junho, os norte-americanos comprometeram-se a aumentar o número de vagas a manter para trabalhadores portugueses de 378 para 405.

Depois dessa reunião, foi realizado um inquérito vinculativo aos trabalhadores portugueses e 440 manifestaram interesse em assinar rescisões por mútuo acordo.

Atualmente, a base das Lajes tem cerca de 790 trabalhadores permanentes, o que significa que bastariam 395 despedimentos para manter as 405 vagas pretendidas, por isso os norte-americanos enviaram apenas 421 cartas a propor rescisão.

Entre os que aceitaram deixar a base das Lajes estão muitos que já têm idade de reforma e outros que com 45 anos de idade, 15 de descontos e 10 de serviço na base das Lajes têm acesso a uma pensão extraordinária, até que atinjam a idade da reforma.

 

 
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