César quer assegurar "cumplicidade e apoio" do país à autonomia


 

Lusa/AO   Regional   29 de Set de 2008, 06:13

O líder do PS/Açores, Carlos César, comprometeu-se ontem a desenvolver um "esforço planeado" para afirmar a autonomia do arquipélago no país, de modo a garantir a "cumplicidade e o apoio" da opinião pública portuguesa.
"Estamos convencidos que a afirmação da nossa autonomia será maior se for conhecida e compreendida pela generalidade dos portugueses", salientou Carlos César, que falava na ilha de Santa Maria, na apresentação do Programa de Governo a submeter às eleições regionais de Outubro.

    Perante cerca de centena e meia de pessoas, o dirigente socialista adiantou que pretende, assim, desenvolver um "esforço planeado" para procurar "assegurar a cumplicidade e o apoio da comunidade institucional e da opinião pública portuguesa" para o processo autonómico.

    Segundo Carlos César, a consagração da autonomia na Constituição de 1976 foi um "importante passo na afirmação" da identidade açoriana, mas "não tem sido suficiente para, ao longo do tempo, dissipar a desconfiança e as tendências centralistas que ainda pairam em alguns sectores e agentes" do país.

    "O novo Estatuto Político-Administrativo dos Açores, que estimamos ver em vigor ainda este ano, será um instrumento fundamental na ampliação das margens de intervenção do núcleo de atribuições do poder autonómico em prol do desenvolvimento regional", afirmou.

    Num discurso de cerca de 40 minutos, o líder do PS/Açores, que concorre a um quarto mandato como presidente do Governo Regional, adiantou ainda que o Programa que apresenta ao eleitorado assenta em quatro pilares: Autonomia e Governação, Território, Sociedade e Actividade Económica.

    Quatro áreas que se materializam em 830 medidas concretas para os próximos quatro anos, anunciou Carlos César, para quem o documento constitui um "programa de desenvolvimento e não um roteiro de eleitoralismos".

    "É o resultado de estudos e verificações cuidadas e não de discursos adaptados ao consumo auditivo menos prevenido", garantiu o líder dos socialistas açorianos.

    Na área da Saúde, o "grande desafio" de um eventual novo Governo do PS será o de preservar o carácter tendencialmente gratuito deste serviço.

    "O esforço financeiro do Governo para manter essa garantia é muito elevado, pelo que não podem existir negligências de gestão e teremos de encontrar sempre novas formas de racionalização e optimização de recursos", alertou.

    Prometeu, também, reforçar os programas de combate às listas de espera, garantir o acesso atempado aos meios complementares de diagnóstico e assegurar que todas as cirurgias se realizem num prazo máximo de nove meses.

    Para o sector da Habitação, Carlos César anunciou a criação de novos programas de apoio ao arrendamento aos jovens e famílias com rendimentos médios e de aproveitamento do parque habitacional devoluto.

    Já na economia, o presidente do PS/Açores comprometeu-se a afectar uma "parte substancial" dos fundos comunitários à comparticipação de investimentos privados nos sectores estratégicos do desenvolvimento regional.

    Reconheceu, ainda, que o desenvolvimento da região não se tem verificado de forma uniforme em todo o arquipélago e anunciou, por isso, um plano para as ilhas mais pequenas do arquipélago.

    "O Governo dos Açores criou medidas específicas para as ilhas da coesão, sendo que, na próxima legislatura, irá implementar o Plano Estratégico para a Coesão dos Açores (PECA)", disse.

    O Programa de Governo do PS/Açores resulta dos contributos recolhidos pelo Fórum Açores 2013-Ilhas de Futuro, que reuniu socialistas e independentes de vários sectores.

    As eleições legislativas regionais, que vão escolher 57 deputados regionais, estão agendadas para 19 de Outubro.

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