Cavaco diz que Portugal vive "tempos difíceis"

Cavaco diz que Portugal vive "tempos difíceis"

 

Lusa/AOonline   Nacional   5 de Out de 2008, 11:33

O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, afirmou hoje que Portugal vive "tempos difíceis", registando "fracos índices de crescimento económico", realidade que disse não poder ser iludida pelos agentes políticos.
    "O que é vivido pelos cidadãos não pode ser iludido pelos agentes políticos. Quando a realidade se impõe como uma evidência, não há forma de a contornar", declarou Cavaco Silva no discurso que proferiu nas comemorações da revolução republicana de 5 de Outubro, em Lisboa.

    O discurso de Cavaco Silva seguiu-se ao do presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, numa cerimónia em que, entre outras autoridades, estiveram presentes o presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, o primeiro-ministro, José Sócrates, e a líder do PSD, Manuela Ferreira Leite.

    "Portugal tem registado fracos índices de crescimento económico. Afastámo-nos dos níveis de prosperidade e de bem-estar dos nossos parceiros europeus. Ainda não invertemos a insustentável tendência do endividamento externo", considerou.

    Na sua intervenção nas comemorações do 05 de Outubro, o chefe de Estado sublinhou por várias vezes que o seu dever "é falar a verdade" aos portugueses e "não iludir as dificuldades" dos tempos presentes.

    "Porque falo sempre verdade aos portugueses e porque tenho como princípio conhecer a realidade do país, escutar os meus concidadãos e ouvir as suas preocupações, sei bem que muitos atravessam momentos de incerteza perante o futuro", afirmou.

    Segundo o diagnóstico do Presidente da República, "muitas famílias têm dificuldade em pagar os seus empréstimos que contraíram para comprar as suas casas; há idosos para quem a reforma mal chega para as despesas essenciais; há jovens que buscam ansiosamente o seu primeiro emprego; há homens e mulheres que perderam os seus postos de trabalho", apontou.

    Ainda de acordo com Cavaco Silva, estão a nascer em Portugal "novas formas de pobreza e exclusão social e, em paralelo, emergem novas e chocantes disparidades".

    Só depois de enunciar este quadro de dificuldades internas é que Cavaco Silva se referiu à actual crise financeira internacional.

    "A situação internacional, por outro lado, não é favorável. Ao elevado preço do petróleo e dos produtos alimentares alia-se o aumento das taxas de juro", disse.

    No entanto, em paralelo com os problemas da actual conjuntura, o Presidente da República deixou também uma mensagem de esperança no futuro.

    "É nestas alturas que se vê a fibra de um povo. Este é o tempo em que aqueles que servem as instituições devem fazer prova do seu real valor e da sua visão de futuro. Os tempos são difíceis, mas a vontade e o querer dos portugueses terão de ser mais fortes", frisou o chefe de Estado.

    Para Cavaco Silva, Portugal "tem capacidade" para ultrapassar a crise, alegando que já o fez em outros momentos da História.

    "Os nossos filhos e os nossos netos não nos perdoarão se baixarmos os braços, se não formos capazes de fazer as escolhas certas e ultrapassar as dificuldades que Portugal enfrenta", acrescentou.


  

Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
Consulte os termos e condições de utilização e a política de privacidade do site do Açoriano Oriental.