Carlos Costa diz que estabilidade financeira será uma responsabilidade partilhada

Carlos Costa diz que estabilidade financeira
será uma responsabilidade partilhada

 

Lusa/AOonline   Economia   16 de Nov de 2012, 13:21

O governador do Banco de Portugal afirmou esta sexta-feira que os bancos centrais da zona euro vão, cada vez mais, ser chamados a tomarem decisões importantes no quadro da estabilidade financeira, uma competência que se somará à de controlar os preços.

 

Carlos Costa, que falava hoje em Lisboa na VI Conferência do Banco de Portugal, com o tema "Estabilidade Financeira Micro e Macro Prudencial e a sua Relação com a Política Monetária", disse que "não tem sentido que quem tem a responsabilidade, em última instância, de garantir a estabilidade financeira não participe na condução da política que há de garantir a estabilidade financeira".

Governos nacionais, responsáveis pela condução das políticas orçamentais, vão, assim, ser chamados no futuro a uma maior partilha de responsabilidades com os bancos centrais e, em primeira e última instância, com o Banco Central Europeu, a quem caberá a supervisão central no âmbito da futura União Bancária Europeia.

O responsável reconheceu que a futura arquitetura institucional e de responsabilidades sobre a estabilidade financeira na Europa "coloca desafios importantes e difíceis, em particular, no que se refere à preservação da independência e dos mecanismos de responsabilização".

Na perspetiva do governador do banco central português estes "desafios" vão manifestar-se em vários planos, desde logo, pelo facto de não existir ainda "uma definição clara e consensual dos objetivos no domínio da estabilidade financeira, que possa fornecer um referencial para a avaliação do desempenho do banco central".

Enquanto em termos de estabilidade de preços o papel do BCE e dos bancos centrais é claro, "em termos de estabilidade financeira, quando alguma coisa acontecer, precisamos de ter um conceito de referência para saber se o que foi feito era correto ou foi inadequado", sustentou Carlos Costa.

O governador sublinhou ainda a importância do próximo Conselho Europeu, que se realiza de 13 e 14 de dezembro, no qual se deverá estabelecer um roteiro específico e calendarizado da construção da União Bancária Europeia, um objetivo que Carlos Costa considera ser "um dos maiores impulsos que podemos dar no curto prazo ao crescimento económico da Europa".

"Uma das peças-chave do atual processo de reconstrução da União Europeia e que faltava na arquitetura europeia é a união bancária, que não é senão colocar em prática aquilo que se esperava que acontecesse com uma União Económica e Monetária (UEM), que é a dissociação entre o risco do Estado e o risco dos respetivos bancos", defendeu.

O que se pretende, reiterou, "é colocar uma empresa portuguesa ou italiana com o nível de risco idêntico, com tratamento idêntico, a uma empresa situada nos países do norte da Europa. O que importa é retirar do fator de decisão de crédito e do fator de custo o risco inerente ao soberano que tem a responsabilidade pelo território onde a empresa está implantada".

 


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