Campanhas para angariar doadores de gâmetas servem desmistificar problema

Campanhas para angariar doadores de gâmetas servem desmistificar problema

 

Lusa / AO online   Nacional   27 de Set de 2007, 15:14

As campanhas publicitárias de clínicas privadas para angariação de candidatos a doadores de gâmetas têm permitido desmistificar o tema da doação de espermatozóides e óvulos e da infertilidade, segundo o director de um desses locais.
 Desde que fez a primeira campanha publicitária num jornal de distribuição gratuita, há cinco meses, uma clínica com sede em Lisboa foi contactada por cerca de 60 candidatos a doadores de gâmetas, o mesmo número de pessoas que respondeu nos primeiros cinco dias da segunda iniciativa, ainda a decorrer, segundo Sérgio Reis.

A clínica escolheu um jornal gratuito para atingir um público muito vasto e sem limites de classes sociais, porque estas campanhas pretendem veicular informação sobre a Procriação Medicamente Assistida (PMA), ou seja, sobre a ausência de gravidez espontânea, referiu o responsável à Lusa, lembrando que outras clínicas recorreram ao mesmo tipo de promoção.

"A informação que existia era muito incipiente e é fundamental uma sensibilização da sociedade para o caso dos casais que só encontram solução na PMA e na doação de gâmetas. O assunto está a tornar-se familiar e percebe-se quais são os riscos e o que é fantasioso e as pessoas estão muito receptivas", referiu o director do Instituto Valenciano de Fertilidade.

Em termos de resposta, houve um equilíbrio de géneros na primeira campanha, enquanto na segunda houve, até agora, mais contactos de mulheres.

"Habitualmente, os candidatos são pessoas próximas de outros candidatos ou de algum casal receptor que, por isso, estão mais sensibilizados e dispõem-se a ajudar pessoas que têm na PMA a única via para realizar o seu sonho [de serem pais]. Este é um processo que funciona por boca a boca", referiu.

Para doar óvulos é necessário ter entre os 18 e os 35 anos, no caso das mulheres, e entre 18 e 50 anos no caso dos homens.

O processo inclui ainda um amplo conjunto de exames clínicos para detectar doenças genéticas individuais ou familiares de diagnóstico precoce.

Estes testes despistam ainda mutações no cromossoma que provoca a fibrose quística (que causa o funcionamento anormal das glândulas ao nível respiratório e digestivo) ou mutação no cromossoma X frágil, que é a maior causa genética de atraso mental.

Avaliação psicológica, despistagem de doenças infecciosas ou diagnóstico do funcionamento ginecológico são outros dos testes que os candidatos a doadores têm de realizar.

O responsável recusa qualquer relação comercial entre doadores e receptores e garante que os doadores têm de ser compensados, devido a desgaste físico, transporte ou até faltas ao trabalho.

"O altruísmo não pode chegar ao ponto de se gastar o próprio dinheiro", observou Sérgio Reis, referindo que a clínica paga 750 euros às mulheres doadoras e 100 euros aos homens.

Sobre o atraso na publicação da regulamentação da lei da Procriação Medicamente Assistida, o responsável refere que é uma situação "negativa para todos os que têm vínculo em termos de fertilidade".

"A lei geral é óptima, mas é necessária a regulamentação para definir pormenores de funcionamento", lembrou.

Entre outros aspectos, Sérgio Reis espera ver na regulamentação da lei da PMA a definição dos parâmetros de qualidade das clínicas, nomeadamente ao nível das infra-estruturas, assim como a definição do tipo de formação do pessoal, do material usado e uma tabela de compensações a doadores.

A infertilidade atinge 15 por cento dos casais em idade fértil nos países ocidentais.
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