Açoriano Oriental
Câmara de Lisboa lamenta atraso na instalação de câmaras de vigilância para controlo do trânsito

O vice-presidente da Câmara de Lisboa lamentou o atraso de “pelo menos 10 anos” na instalação de câmaras de vigilância para controlo do trânsito, considerando que este é o “passo mais indispensável” para retirar carros da cidade.

Câmara de Lisboa lamenta atraso na instalação de câmaras de vigilância para controlo do trânsito

Autor: Lusa/AO Online

“Não posso de deixar aqui a minha estranheza de termos perdido em Lisboa tantos anos a discutir ZER 1 e ZER 2 e, depois, a ZER [Zona de Emissões Reduzidas], e não se ter tratado do passo mais indispensável que era a aquisição de câmaras que assegurem uma vigilância automática, como acontece em qualquer cidade que implementou este tipo de medidas [de controlo do trânsito]. Em Lisboa tivemos 10 anos a dormir nesta área, pelo menos 10 anos a dormir”, declarou Filipe Anacoreta Correia (CDS-PP), que tem o pelouro da Mobilidade.

O vice-presidente da câmara falava na reunião da Assembleia Municipal de Lisboa, em resposta ao deputado do PS José Leitão, no âmbito da apreciação do trabalho do executivo nos últimos quatro meses, entre novembro e fevereiro.

O socialista José Leitão disse que o “caos” do trânsito em Lisboa já ultrapassa os circuitos de entrada e saída da cidade, afirmando que “no centro, na zona histórica, a concentração de automóveis é acompanhada de uma constrangedora ausência de estratégia de mobilidade”.

“A Rua da Prata reabriu após longos meses de intervenção, mas os residentes da restante Baixa Pombalina temem que a mesma situação [de rutura de um coletor de saneamento pombalino] se replique na Rua da Madalena, onde milhares de automóveis estão a desgastar esta artéria. Quando é que pensa agir sobre isto, senhor presidente?”, questionou o deputado do PS.

No balanço do trabalho dos últimos quatro meses, o presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas (PSD), realçou a requalificação da Rua da Prata, que esteve em obras desde dezembro de 2022 e reabriu quase um ano depois, em 24 de novembro, com a reposição do percurso do elétrico 15 e a implementação de um canal ciclopedonal, ficando interditada à circulação automóvel.

“Estamos a fazer muito para reduzir as emissões [de poluentes]”, afirmou o social-democrata.

O deputado do PS criticou Carlos Moedas por “quer prometer tudo a todos” e alertou que “não é possível ser consequente na ação climática sem limitar emissões do trânsito automóvel, concretizando as tão necessárias Zonas de Emissões Reduzidas, com benefícios para o ambiente e clima, para a saúde das populações, nomeadamente através da redução do ruído”.

Citando dados da associação ZERO, José Leitão indicou que a poluição na Avenida da Liberdade, em Lisboa, “piorou” em 2023 e continua a estar, recorrentemente, “muito acima da lei”.

Em resposta, o presidente da câmara disse que as emissões na Avenida da Liberdade registam uma descida de 2019 para o presente ano, de 55 microgramas por metro cúbico para 47.

“O trabalho na mobilidade tem sido imenso e tem sido em muitas frentes […]. Estamos convictos de que no final do mandato estaremos muito tranquilos a prestar contas disso mesmo”, afirmou o vice-presidente da câmara, destacando a medida de transportes públicos gratuitos para os mais novos e para os mais velhos, a renovação da frota da Carris, o investimento na rede de bicicletas Gira.

Sobre as ciclovias na cidade, Anacoreta Correia indicou que o executivo tem apostado numa “atitude prudente, sensata, não fanática, mas de avaliação de pequenas realidades que têm de ser melhoradas”, com a realização desses melhoramentos ao mesmo tempo que se alarga a rede.

Relativamente à Rua da Prata, o responsável pelo pelouro da Mobilidade disse que a câmara aproveitou a circunstância das obras para implementar “um novo conceito na Baixa Chiado”, em que está a trabalhar para “a seu tempo” apresentar também esse projeto.

Respondendo a questões do deputado do PEV Sobreda Antunes, o vice-presidente reforçou que a câmara está atenta à qualidade do ar na cidade, lamentando que a cidade de Lisboa não tenha ainda avançado com “a medida que era mais elementar e que em qualquer cidade do mundo é implementada”, pois quando se implementam “medidas de condicionamento de trânsito elas são acompanhadas de vigilância automática, de câmaras, e sobre isso nada foi feito”.

“No ano passado implementamos uma medida de proibir o tráfego de atravessamento na frente ribeirinha e na Baixa. Sabemos que essa medida teve algum impacto, mas o impacto mais efetivo só realmente com controlo de câmaras automáticas e é nisso que estamos a trabalhar e acreditamos que essa medida terá grande impacto também sobre a Avenida da Liberdade”, declarou.

A 17 de novembro, o presidente da Câmara de Lisboa disse que a cidade vai ter câmaras de vídeo para controlar o trânsito na zona da Baixa, através da fiscalização das matrículas, tendo já a autorização da Comissão Nacional de Proteção de Dados.


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