O setor das pescas nos Açores terminou o ano de 2025 com um balanço globalmente positivo em termos de quantidade descarregada, mas com sinais claros de pressão sobre a valorização do pescado.
De acordo com os dados divulgados ontem pelo Serviço Regional de Estatística dos Açores (SREA), ao longo de 2025 foram descarregadas em lotas 12,9 mil toneladas de pescado, o que representa um aumento de 35,2% face a 2024. Este crescimento em volume traduziu-se num valor acumulado de 46,9 milhões de euros, mais 18,0% do que no ano anterior. Ainda assim, o preço médio anual do pescado descarregado registou um decréscimo de 12,7%, evidenciando que o aumento da produção não foi acompanhado por uma valorização proporcional no mercado.
O mês de dezembro de 2025 contrariou a tendência anual de crescimento. Nesse período, foram descarregadas em lota 152,0 toneladas de pescado, com um valor total de 1,4 milhões de euros, números que representam quebras significativas face ao mesmo mês de 2024. Em termos homólogos, o volume descarregado diminuiu 42,4% e o valor recuou 33,8%, sendo também registada uma descida acentuada em comparação com o mês de novembro. Estes dados não incluem pescado rejeitado, caldeirada ou algas não destinadas ao consumo humano.
A análise do quarto trimestre de 2025 confirma igualmente um cenário de abrandamento face ao ano anterior. Entre outubro e dezembro foram descarregadas 845,6 toneladas de pescado, menos 19,9% em termos homólogos, correspondendo a um valor trimestral de 6,0 milhões de euros, o que representa uma diminuição de 3,7%.
Atum foi o peixe mais pescado do ano
Os atuns destacaram-se como a espécie mais pescada nos Açores, com 9.418.615 quilos descarregados em lota, registando um aumento homólogo a 61,2%, representando 72.9% do total descarregado, confirmando o forte crescimento desta pescaria ao longo do ano, apesar de não ter sido descarregado em dezembro. Seguiu-se o chicharro, com 563.252 quilos, apresentando uma variação homóloga positiva de 7,2%. Em terceiro lugar surgiu o goraz, com um total de 247.724 quilos, mas com uma quebra homóloga negativa de 4%, refletindo um recuo na captura desta espécie.
A distribuição geográfica das descargas voltou a evidenciar diferenças significativas entre ilhas. São Miguel concentrou a maior fatia do volume descarregado em dezembro, com 59,5% do total, embora tenha representado 47,1% do valor das vendas. A Terceira surgiu em segundo lugar, com 21,2% do volume e 28,9% do valor, seguindo-se o Faial, o Pico e a Graciosa.
No balanço anual por ilha, registou-se um aumento do volume de pescado descarregado em lota na maioria das ilhas, com exceção da Graciosa e das Flores, que apresentaram quebras de 28,3% e 3,9%, respetivamente. O Pico destacou-se com o maior crescimento homólogo (+186,8%), seguindo-se Santa Maria (+65,8%), São Jorge (+63,4%) e Faial (+33,4%), enquanto Corvo (+7,1%), São Miguel (+5,6%) e Terceira (+3,3%) registaram aumentos mais moderados. Relativamente ao valor do pescado descarregado, verificaram-se acréscimos no Pico, Santa Maria, São Jorge, Faial, Terceira e São Miguel, contrastando com as variações anuais negativas observadas na Graciosa, Flores e Corvo.
