Açoriano Oriental
Câmara de Comércio de Angra do Heroísmo pede reforço de apoios para o turismo

O presidente da Câmara de Comércio de Angra do Heroísmo (CCAH), nos Açores, reivindicou hoje a criação de apoios específicos para o setor do turismo, para que as empresas possam sobreviver até haver uma retoma efetiva.

Câmara de Comércio de Angra do Heroísmo pede reforço de apoios para o turismo

Autor: Lusa/AO Online

“É preciso aguentarmos estas empresas vivas, mantendo o máximo do nível de emprego possível, mas isto só é possível aumentando o nível de apoios às empresas neste momento. Não é razoável pensarmos que as empresas do turismo conseguem sobreviver até maio de 2021, com os apoios que estão neste momento regulamentados”, afirmou Rodrigo Rodrigues, em declarações à Lusa.

Segundo o presidente da associação empresarial, que representa as ilhas Terceira, São Jorge e Graciosa, as reservas para o verão na hotelaria e noutras empresas ligadas ao turismo são “residuais”, devido à pandemia da covid-19.

“Não temos qualquer volume expectável mesmo no mês de agosto, que é o mais forte do ano. E a partir daí temos uma descendente normal, que tem a ver com a sazonalidade”, revelou, alegando que a falta de turistas se agrava nas ilhas mais pequenas do arquipélago.

As campanhas promocionais lançadas são positivas, na opinião de Rodrigo Rodrigues, mas ainda se nota alguma resistência das pessoas em voltar a viajar.

“Há uma quebra na procura brutal, que não depende só daquilo que nós fazemos e das ligações aéreas que temos disponíveis. A TAP para o mês de agosto tem um voo diário para a Terceira e tem uma taxa de ocupação de 20%”, sublinhou.

Com o verão “perdido”, as expectativas dos empresários para o inverno são preocupantes e só em maio de 2021 é esperada uma retoma mais “relevante”, ainda que “longe do que seria em condições normais”.

“Não digo que não se faça tudo o que seja possível para captar fluxos turísticos. Isso tem de ser feito e acho que está a ser feito, mas temos de ser realistas e não esperar que depois do verão venham tempos melhores. Não é razoável, nunca aconteceu, não vai acontecer neste contexto”, salientou Rodrigo Rodrigues.

Os apoios criados pelo Governo Regional no início da pandemia foram “bem-vindos e bem conseguidos”, mas agora o presidente da associação empresarial pede uma atenção especial ao setor que tem “a sua atividade reduzida a zero ou quase a zero”.

“Passada a primeira fase, em que as medidas foram transversais a todos os setores, neste momento urge defender e salvar mesmo aquelas empresas que estão mais ligadas ao turismo”, reiterou.

O empresário considerou que os Açores têm uma situação “invejável” no controlo da pandemia, mas alertou para as falhas na comunicação dos resultados dos testes de despiste de infeção pelo novo coronavírus feitos à chegada à região.

“Uma pessoa não pode chegar aos Açores com a expectativa de esperar 12 horas pelo resultado do teste – o que é muito razoável, eu diria que até às 24 horas seria razoável – e depois por uma falha técnica, de plataforma ou de falta de recursos humanos, termos esperas que já chegaram a 54 horas. Temos casos de turistas estrangeiros que nunca chegaram a receber a comunicação do teste”, salientou.

As autoridades de saúde dos Açores exigem que todos os passageiros que aterrem na região tenham um teste realizado até 72 horas antes da viagem ou que o realizem à chegada, esperando em isolamento profilático até receber o resultado.

Neste caso, o executivo açoriano comprometeu-se a divulgar os resultados por mensagem no espaço de 12 horas, nas ilhas Terceira e São Miguel, onde estão localizados os dois laboratórios de referência da região.

Questionada no parlamento açoriano, na semana passada, a secretária regional da Saúde admitiu que tinha existido uma problema na plataforma informática utilizada para comunicar os resultados dos testes, mas assegurou que já estava resolvido.

"Percebemos que havia um 'bug' no número de telefone e já esta noite isto foi resolvido e saíram uma série de SMS", avançou Teresa Machado Luciano.


 
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