Açoriano Oriental
2018
Bruno de Carvalho, o rosto de uma crise sem precedentes no Sporting

O ex-presidente do Sporting Bruno de Carvalho, eleito pelos jornalistas da Lusa como a figura nacional de 2018, foi destituído pelos sócios e tornou-se no principal rosto de uma crise sem precedentes na história do clube.

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Foto: CARLOS SANTOS/LUSA
Autor: Lusa/AO Online

De uma liderança incontestada ao afastamento pelos próprios sócios bastaram seis meses. Bruno de Carvalho até começara o ano da melhor forma possível, ao ver a equipa de futebol conquistar em janeiro a Taça da Liga, numa altura em que os ‘leões’ alimentavam esperanças em todas as provas. Porém, em 23 de junho, depois de uma espiral negativa surpreendente, viu uma Assembleia Geral retirar-lhe o poder e a presidência.

Os últimos seis meses distanciaram-no de Alvalade e aproximaram-no dos tribunais. Foi constituído arguido no processo do ataque aos jogadores da equipa principal de futebol, na Academia de Alcochete, em 15 de maio, no qual é acusado de ser o autor moral de 40 crimes de ameaça agravada, 19 de ofensa à integridade física qualificada, 38 de sequestro, um de detenção de arma proibida e crimes que são classificados como terrorismo, não quantificados.

A erosão da relação entre Bruno de Carvalho e a equipa já durava há alguns meses, tendo perdido também apoio entre os adeptos. No entanto, foi a invasão em Alcochete e as agressões a jogadores e à equipa técnica comandada por Jorge Jesus (por cerca de 40 membros da claque Juve Leo) que colocaram um ponto final na ‘era’ daquele que ficou conhecido como o ‘presidente-adepto’.

Em fevereiro, impôs uma revisão de estatutos que apenas foi legitimada à segunda tentativa e quando associada a uma votação sobre a continuidade dos órgãos sociais, algo que conseguiu com uma percentagem inequívoca. A confusão e as críticas a este processo geraram um enorme descontentamento, mas o fim desta história ainda estava longe.

A derrota por 2-0 com o Atlético de Madrid, na primeira mão dos quartos de final da Liga Europa, em 05 de abril, despertou a ira de Bruno de Carvalho, que apontou publicamente falhas a vários jogadores. A tomada de posição teve uma resposta inédita, com o plantel a acusar o presidente de “falta de apoio”. Ato contínuo, o Sporting entrou numa gravíssima crise desportiva, institucional e económica.

Durante semanas, o fosso entre o líder e o resto da estrutura agudizou-se. As críticas a Bruno de Carvalho, provenientes dos mais diversos quadrantes, ganharam espaço mediático e corroeram a aura de um presidente com níveis de popularidade sem paralelo. A invasão em Alcochete, a qual começou por relativizar, ao proferir que “o crime faz parte do dia a dia”, tornou-se o ponto de ‘não retorno’.

A Mesa da Assembleia Geral (AG) e o Conselho Fiscal e Disciplinar anunciaram as demissões dois dias após o ataque e deixaram Bruno de Carvalho isolado. Iniciou-se então uma longa batalha com o líder da Mesa da AG, Jaime Marta Soares, travada em sucessivos pedidos de AG, a criação de comissões de um e do outro lado da barricada e uma série de providências cautelares.

Embora imerso no ‘olho do furacão’, Bruno de Carvalho quis passar uma imagem de normalidade, apresentando jogadores e até o treinador sérvio Sinisa Mihajlovic para a nova época. Uma ilusão terminada pela Comissão de Gestão entretanto nomeada por Jaime Marta Soares, presidida por Artur Torres Pereira, e pela liderança de Sousa Cintra na SAD ‘leonina’.

O passo em frente foi uma recandidatura à presidência para as eleições de 08 de setembro, mas também essa intenção foi anulada pela Mesa da Assembleia Geral, abrindo assim caminho a uma mudança de poder em Alvalade. O sufrágio ditou a vitória de Frederico Varandas, antigo diretor clínico e um dos primeiros a assumir o ‘divórcio’ público com Bruno de Carvalho.

Acossado por notícias de alegadas irregularidades cometidas à frente do Sporting, Bruno de Carvalho acabaria também por estar cinco dias detido em novembro, no âmbito do processo do ataque em Alcochete, dias esses que viria a considerar os “piores” da sua vida. Saiu em liberdade, após o interrogatório, mas com a acusação num processo que promete também marcar 2019.


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