“Eu fiz sempre questão de afirmar, enquanto líder também da coligação, que a coligação não anula a identidade de cada um dos partidos. Fiz sempre por isso e, mesmo que alguns ficassem incomodados, eu nunca fiquei”, afirmou, em declarações aos jornalistas, à margem a uma visita ao Hospital da Ilha Terceira.
O chefe do executivo açoriano, que lidera o PSD nos Açores, falava em reação a declarações do líder do CDS-PP/Açores e vice-presidente do Governo Regional, Artur Lima, que disse, no congresso nacional do partido, que o CDS-PP está pronto para ir a eleições sozinho nos Açores e que está “no Governo por direito próprio”.
Questionado sobre o facto de o dirigente centrista ter dito que o partido não tinha medo de ir a eleições sozinho, Bolieiro manifestou “concordância”, alegando que “era o que faltava um democrata a ter medo da democracia”.
O líder regional social-democrata vincou que PSD, CDS-PP e PPM integraram “um projeto político alternativo e que gerou uma alternância nos Açores”, mas ressalvou que a coligação “não eliminou a autonomia de cada um dos partidos políticos”.
José Manuel Bolieiro disse que o primeiro mandato “foi interrompido, porque alguns, erradamente, punham em causa a legitimidade democrática”, mas assegurou que tem intenção de cumprir o segundo mandato até ao fim.
“Os mandatos democráticos são de quatro anos e, portanto, o objetivo é cumprir. Se outros são responsáveis pela instabilidade, responderão por ela e por essa responsabilidade. Eu quero ser responsável por bem governar e pela estabilidade política e governativa”, frisou.
Em 2020, o PS venceu as eleições legislativas nos Açores, mas perdeu a maioria absoluta e PSD, CDS-PP e PPM formaram uma coligação pós-eleitoral, colocando fim a 24 anos de governação socialista.
As eleições de 2024 foram antecipadas devido ao chumbo do orçamento da região e nesse ato eleitoral os três partidos concorreram coligados e venceram as eleições, ainda que sem maioria absoluta.
O acordo de coligação assinado em 2020 previa que os partidos se mantivessem coligados durante dois mandatos.
Numa entrevista ao ‘podcast’ da Antena 1 Política com Assinatura, em 28 de abril, José Manuel Bolieiro revelou que em 2028 o PSD concorreria sozinho.
“Vamos cumprir os nossos acordos. […] Sou cumpridor dos meus compromissos e da palavra dada, e, portanto, vou cumprir a palavra dada. A [atual] coligação pré-eleitoral vai até 2028, […] isso significa que, a partir de 2028, não há coligação pré-eleitoral. É o que foi acordado, é o que vai ser cumprido”, afirmou.
No sábado, no congresso do CDS-PP, em Alcobaça, o líder regional centrista, Artur Lima, assegurou que a hipótese de não haver coligação pré-eleitoral nas próximas eleições não incomodava o partido.
“Estamos prontos para ir a qualquer eleição, sozinhos, hoje, amanhã, em 27, em 28, e lá vamos com os nossos valores, com o nosso programa e com os nossos princípios”, avançou, garantindo que o CDS-PP irá a votos “sem medo, com coragem".
