Açoriano Oriental
Benefícios do exercício físico em doentes oncológicos em avaliação

Projeto interdisciplinar, liderado pela psicóloga clínica Graciete Figueiredo Marques, está a ser avaliado com o objetivo de se perceber os seus benefícios, de modo a que no futuro seja multiplicado e chegue a outros pacientes da Região


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Foto: Eduardo Resendes
Autor: Nuno Martins Neves / Ana Carvalho Melo

O projeto Exercício Físico em Doentes Oncológicos, que está a abranger um grupo de utentes da Liga Portuguesa Contra o Cancro, está a ser avaliado de modo a poder beneficiar outros pacientes da Região.

Este projeto interdisciplinar, que está a ser liderado pela psicóloga clínica Graciete Figueiredo Marques, vai ser avaliado com o objetivo de se perceber os seus benefícios para que no futuro possa ser melhorado e multiplicado, de modo a poder beneficiar outros pacientes da Região, uma vez que - como destaca - existe “uma relação positiva entre a atividade física e uma boa saúde mental”.

“A atividade física regular pode atuar efetivamente na prevenção e no tratamento de perturbações psicológicas, bem como na promoção da saúde mental, através da melhoria do humor e do autoconceito/autoestima, promovendo maior estabilidade emocional e autocontrolo, assim como maior autoeficácia, controlo ao nível do stress, melhoria da função intelectual, redução da ansiedade e da depressão”, destacou a psicóloga.

Nesse sentido, surgiu em janeiro deste ano este projeto que junta 11 pessoas que em comum têm a experiência do cancro. Uma experiencia que os utentes, como reflete a reportagem de ontem do Açoriano Oriental, revelam lhes permitiu recuperar a mobilidade, mas também o bem-estar psicológico.

“A prática de atividades físicas favorece a interação social, melhorando a crença do indivíduo na sua capacidade de desempenho em atividades específicas e proporciona uma maior sensação de controlo sobre os eventos e exigências do quotidiano”, explicou Graciete Marques, referindo que o projeto agora iniciado em Ponta Delgada é uma experiência-piloto que está a ser monitorizada e estudada de modo a que um dia possa fazer parte das respostas sociais dirigidas a pessoas com cancro.

A psicóloga realça que o Programa Nacional para a Promoção de Atividade Física (PNPAF), da Direção-Geral de Saúde, recomenda que “adultos saudáveis devem praticar 150 minutos semanais de atividade física moderada, ou 75 minutos de atividade vigorosa, ou combinação equivalente”.

Conclui que a atividade física e desporto são essenciais para a nossa saúde, bem-estar físico e psicológico. “De acordo com a Direção Geral de Saúde, a atividade física adequada e desporto para todos constituem um dos pilares para um estilo de vida saudável, a par de alimentação saudável, vida sem tabaco e o evitar de outras substâncias perniciosas para a saúde. A evidência científica e a experiência disponível mostram que a prática regular de atividade física beneficia, quer fisicamente, quer socialmente, quer mentalmente, toda a população, homens ou mulheres, de todas as idades, incluindo pessoas com incapacidades”, afirma.

No caso do projeto Exercício Físico em Doentes Oncológicos, o que se pretende é “permitir a acessibilidade às pessoas com determinada (in)capacidade a oportunidade e o suporte para poderem praticar desporto e exercício físico adaptado às suas condições físicas com o objetivo de melhorar a sua força muscular, o seu bem-estar psicológico e a sua qualidade de vida”.

“Essa ideia vai ao encontro do trabalho que a Organização Mundial de Saúde tem vindo a desenvolver com os diferentes governos e que visa atingir uma redução global significativa da inatividade física até 2030, com políticas que incentivem as pessoas a estar mais ativas todos os dias e, desta forma, prevenir doenças e melhorar a sua qualidade de vida”, realça.

Também Eduardo Marques, docente da Universidade dos Açores, defende que este projeto responde às necessidades psicossociais identificadas em doentes com cancro.
“Este é um projeto interdisciplinar que junta a Psicologia, o Serviço Social e o Desporto. Graças à interdisciplinaridade, o problema da pessoa com cancro é abordado de forma integral, de modo a criar um novo enfoque metodológico que contribua de algum modo para a resolução de problemas complexos”, afirmou.

Dessa forma refere que este é um projeto inovador ao nível do apoio social em saúde, uma vez que acompanha a mudança de paradigma na intervenção em serviço social, “ao se passar de um foco centrado nos problemas para uma abordagem centrada na saúde social e na redução das situações de stress, contribuindo assim para superar o mal-estar psicossocial dos doentes oncológicos e, ao mesmo tempo, promovendo o seu bem-estar, através de uma estratégia de empoderamento e esperança”.

Assim, defende a necessidade de novas políticas e programas de saúde que incluam a atividade física como estratégia de melhoria do bem-estar geral e da qualidade de vida de doentes que sobreviveram ao cancro.

“As organizações internacionais de luta contra o cancro recomendam que os sobreviventes de cancro pratiquem atividades físicas regulares, que façam uma dieta saudável e procurem manter o seu peso dentro de uma faixa saudável”, realça.

O projeto Exercício Físico em Doentes Oncológicos junta utentes e voluntários da Liga Portuguesa Contra o Cancro no SP Boutique Fitness, onde contam com o instrutor Pedro de Medeiros.

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