Aumento de tarifas não serve para alimentar lucro de empresas

O ministro da Economia afirmou que o Governo não vai aumentar as tarifas apenas para alimentar o lucro das empresas, em resposta à declaração da Endesa de que vai abandonar o mercado liberalizado da electricidade em Portugal.


Manuel Pinho, que falava à margem do Lisbon Energy Forum, afirmou que o papel das tarifas é proteger os consumidores.

O ministro da Economia e Inovação disse que o mercado ibérico de electricidade (MIBEL) é um processo contínuo e que a liberalização demora entre 3 a 4 anos.

O presidente da Endesa Portugal, Nuno Ribeiro da Silva, disse segunda-feira que vai abandonar o mercado liberalizado em Portugal por não ter condições para importar de Espanha electricidade a preços competitivos.

Em causa está o congestionamento das interligações entre Portugal e Espanha com a entrada em vigor, a partir de 1 de Julho, das novas regras do MIBEL, que reduziu essa interligação a duas horas e quinze minutos diários.

O responsável, que falava aos jornalistas à saída do encontro "Mercado Ibérico de Electricidade: Os próximos 5 anos", adiantou que na maior parte do tempo a capacidade de interligação é utilizada pela EDP para ir a Espanha comprar electricidade mais barata e revendê-la em Portugal a preços mais baixos.

"Nestas condições vamos sair do mercado português, pois estamos a perder milhões de euros por dia", afirmou.

Sem capacidade para abastecer os seus clientes, uma vez que a Endesa não tem capacidade de produção em Portugal, Nuno Ribeiro da Silva afirma que vai começar a deixar de renovar os contratos à medida que forem expirando e vai acelerar alguns processos para enviar clientes para a tarifa regulada.

O responsável critica o Governo por nada ter feito e afirma que alertou um mês antes os responsáveis, nomeadamente, a REN, a ERSE e o Ministério da Economia, para o constrangimento nas interligações que as novas regras iam criar.
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