Associação Municípios desvaloriza críticas à construção de incineradora

 Associação Municípios desvaloriza críticas à construção de incineradora

 

Lusa/Aonline   Regional   8 de Set de 2011, 08:26

A Associação de Municípios de S. Miguel (AMISM) desvalorizou quarta-feira as críticas da Associação Ambientalista Amigos dos Açores à construção de uma incineradora de resíduos, defendendo que se trata de um processo moderno de tratamento.

“A incineração é hoje um processo industrial quase inócuo e é um instrumento utilizado de forma intensiva nos países mais evoluídos e com maiores índices de sucesso em todas as etapas da gestão dos resíduos ao nível da União Europeia”, refere a AMISM, entidade promotora do Ecoparque de S. Miguel, que inclui a construção de uma incineradora, num investimento de 100 milhões de euros.

Para a AMISM, a maior parte das críticas à incineração “baseia-se em argumentos construídos sobre a primeira geração de incineradores (datados dos anos 60 e 70), que hoje estão tremendamente desfasados da realidade”.

Existem em Portugal “excelentes exemplos de boas práticas em instalações de incineração”, acrescenta, citando a Valorsul, em S. João da Talha, ou a Lipor, no Grande Porto.

Segundo a associação de municípios, “a valorização energética de resíduos não é hoje uma das principais fontes emissoras de poluentes ou gases com efeito estufa porque foram desenvolvidas sofisticadas tecnologias de tratamento de gases, que permitiram enquadrar esta solução abaixo dos limites legalmente exigidos”.

Nesse sentido, salienta que “a valorização energética de resíduos através da incineração é uma das componentes de uma solução para a gestão integrada e sustentada de resíduos”, que inclui a reciclagem, a valorização orgânica e o aterro.

O presidente da Associação Amigos dos Açores, Diogo Caetano, defendeu, em declarações à Agência Lusa, que “queimar não é solução para o tratamento de resíduos”, além de não ser a melhor opção em termos ambientais, nem a que mais responsabiliza os cidadãos.

“Contrariamente à queima, privilegiamos a redução da produção de resíduos, a sua reutilização e reciclagem”, afirmou, defendendo ser “muito importante investir na sociedade para que as pessoas sejam capazes de fazer uma seleção de resíduos eficaz que permita aumentar a reciclagem”.

Nesse sentido, lamentou que as pessoas “sejam capazes de se deslocar 10 quilómetros para comprar um produto, mas não sejam capazes de andar 100 metros para colocar um material no ecoponto”.

A incineradora “cria a imagem de que o que não serve é para queimar, demitindo os cidadãos de uma maior envolvência no tratamento de resíduos”, frisou Diogo Caetano.

O Manifesto contra a Incineração nos Açores, lançado pela associação na Internet, recorda que “existem convenções internacionais que recomendam que o uso da incineração seja eliminado progressivamente”.


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