África do Sul somou segundo ceptro e põe país a dançar

África do Sul somou segundo ceptro e põe país a dançar

 

Lusa/AO   Outras modalidades   20 de Out de 2007, 22:58

A África do Sul conquistou o seu segundo título mundial de râguebi, ao derrotar na final do Campeonato do Mundo, que se realizou na França, a Inglaterra por 15-6

A África do Sul, apoiada em quatro pontapés de penalidade convertidas por Percy Montgomery, conquistou hoje o seu segundo título Mundial de râguebi, ao vencer na final a Inglaterra por 15-6, em Paris.
Num Stade de France com 80.430 espectadores, a maior assistência de sempre no recinto num jogo da modalidade, os sul-africanos repetiram o título de 1995, igualando o feito da Austrália, a única selecção que tinha, até hoje, dois ceptros.
“É, simplesmente, impressionante. Todo o mérito aos jogadores, que provaram a todos que são competitivos. Sabíamos que tínhamos de jogar para vencer e conquistámos um triunfo que é muito importante para todo o país”, afirmou o seleccionador sul-africano, Jake White.
Mais consistente durante todo o encontro, a formação sul-africana justificou a vitória, que começou a construir na primeira parte (9-3), graças a três pontapés de Montgomery, aos quais os ingleses responderam com apenas um de Jonny Wilkinson.
Numa final em que não se registou qualquer ensaio, a Inglaterra ainda se recolocou a três pontos (6-9), aos 44 minutos, com novo pontapé bem sucedido do inevitável Wilkinson (melhor marcador da história dos Mundiais, com 249 pontos).
Mas, aos 51 minutos, Montgomery (melhor marcador da edição 2007, com 105 pontos), acertou pela quarta vez e, aos 62, um remate de Steyn sentenciou o triunfo dos sul-africanos, que, depois, souberam suster a reacção final dos ingleses.

Triunfo põe "Nação Arco-Íris" a dançar

O râguebi, a modalidade mais popular na África do Sul, pôs de novo a jovem nação a dançar e, com renovado fôlego, na via da reconciliação nacional, face ao triunfo no Mundial, em França.
Assim que o árbitro apitou para terminar a final da Taça do Mundo, em Paris, que deu o título aos “Springboks”, a estradas e praças da África do Sul foram invadidas por um imenso “mar” de foliões e os ares encheram-se de buzinas, do estrondo dos foguetes, do som de gaitas, música e gritos de alegria. A festa vai ser rija e estender-se-á pela noite dentro em todo o país.
Durante toda a semana que antecedeu a final de Paris, a azáfama dos preparativos e o ambiente em todos as cidades e vilas faziam antever, sem sombra de dúvida, uma enorme festa nacional, sem barreiras raciais, étnicas ou regionais.
No Soweto, lugar mítico da luta contra a descriminação racial pré-1994, tal como nas zonas mais exclusivas e abastadas da classe alta, como Sandton, Morningside, Bryanston e Houghton (onde reside hoje Nelson Mandela) e em muitos bairros pobres, os preparativos para a grande final foram intensos.

Os bares, restaurantes e cafés embelezaram-se e televisores foram instalados em todos os estabelecimentos que não os tinham. Nas residências e complexos, as famílias prepararam festas em redor dos televisores, convidaram os amigos e compraram “comes e bebes” adicionais para a festa rija que todos anteviam após o jogo dos Springboks contra a Inglaterra.
Durante todo o dia de sábado, nas ruas de Joanesburgo e zonas circundantes, em Durban, no Cabo, Limpopo e nas restantes cidades e zonas rurais de todo o país, milhares de viaturas circularam decoradas com bandeiras nacionais e dos “Springboks”, homens, mulheres e crianças vestidos de verde e dourado, muitos com pinturas na face.
Às 21:00 em ponto, as cidades mergulharam num silêncio sepulcral. As ruas ficaram desertas e milhões de sul-africanos “grudados” aos televisores durante uns longos 80 minutos.
Tudo estava planeado de forma idêntica por negros, brancos, mestiços e asiáticos. E o desfecho não desiludiu ninguém - imediatamente após o apito final, a erupção de alegria foi geral, sem excepções geográficas ou raciais.
A nação sonhada e arquitectada por Nelson Mandela amadureceu e, apesar dos altos e baixos, voltou a celebrar um evento nacional unida e a uma só voz - A Taça do Mundo voltou à África do Sul.
Por uns dias a composição mais ou menos branca da selecção, a criminalidade, o desemprego e tantos outros problemas que apoquentam os sul-africanos deixaram de existir.
A “nação arco-íris” recuperou a Taça do Mundo, 12 anos depois. O ex-presidente Mandela, que a levantou em 1995, ao lado do então capitão François Pienaar, voltou a celebrar, com o seu povo, desta vez na praça de Montecasino, em Joanesburgo, onde mais de três mil adeptos seguiram a final em ecrã gigante.
Em Paris, o actual presidente, Thabo Mbeki, ergueu o troféu com o capitão John Smit e os outros heróis nacionais e foi transportado aos ombros pelos campeões.
Para uma nação onde o râguebi é quase uma religião, é tempo de festa rija.


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