Açores querem reduzir mais de 300 mil toneladas de gases de efeito de estufa até 2030

Açores querem reduzir mais de 300 mil toneladas de gases de efeito de estufa até 2030

 

AO Online/ Lusa   Regional   21 de Set de 2019, 19:18

 A implementação do Programa Regional para as Alterações Climáticas (PRAC), que inclui medidas de mitigação e de adaptação às alterações climáticas, prevê que os Açores reduzam as emissões de CO2 em mais de 300 mil toneladas até 2030.

A estimativa é apontada pela secretária regional da Energia, Ambiente e Turismo do executivo açoriano, Marta Guerreiro, concretizando a governante que, “de acordo com estudos que foram feitos, a implementação destas 76 medidas, que têm calendários bastante diversos, permitiria, no horizonte 2030, uma redução de emissões na ordem dos 19%, na projeção alta, que corresponde a 342 mil toneladas de CO2, e de 40% na chamada projeção baixa – menos 331 mil toneladas de CO2”.

O PRAC engloba 76 medidas, das quais 64 são dedicadas à adaptação às alterações climáticas, e as restantes 12 dizem respeito à vertente da mitigação, que prevê uma redução das emissões de dióxido de carbono, tendo sido aprovado por unanimidade no parlamento açoriano na semana passada.

“Por sermos uma região insular, temos, naturalmente, a noção de que podemos sofrer, de forma mais intensiva, alguns impactos das alterações climáticas, em especial das alterações do mar na nossa costa”, afirmou a titular da pasta do Ambiente.

Na vertente da mitigação, “que tem que ver com a diminuição das emissões de gases de efeito de estufa na região”, o documento foca-se “muito em dois setores em especial: na produção de energia e nos transportes”, por serem “dois setores muito representativos das emissões” e aqueles em que é possível “ter reduções mais acentuadas”, considerou a governante.

Neste campo, ganham destaque a descarbonização que é possível através do ‘mix energético’, que passa pela transição para viaturas elétricas, a promoção da redução do consumo energético e da emissão dos gases de efeito de estufa, “quer por tecnologias mais eficientes, quer através da alteração dos comportamentos, com, também, medidas de eficiência energética na construção de edifícios”, ou a redução da emissão através da “maior penetração de energias de fontes renováveis e endógenas na produção de energia elétrica e o sequestro, ou seja, a captação de carbono, através do aumento das áreas florestais”.

Marta Guerreiro lembra que “muitas das medidas identificadas no PRAC já arrancaram, como é o caso do Plano de Mobilidade Elétrica ou a produção de energia elétrica com recurso a fontes renováveis".

"A região tem práticas nesta matéria já há algum tempo, e medidas implementadas, também nesta linha”, afirmou.

Questionada sobre se a indústria agropecuária merecia a atenção do executivo no sentido de reduzir as emissões de gases poluentes, a secretária regional afirmou que este é, “de facto, um setor que também tem um peso bastante importante em termos de emissões, mas considerado, na análise do PRAC, como um setor muito relevante em termos de dinâmica económica e social”.

“Não é o setor onde se privilegiam as reduções mais acentuadas, precisamente por termos consciência de que devemos fazer esse papel, obviamente, de diminuição de emissões, mas também devemos ter consciência do impacto que esses papéis têm que ter na nossa atividade económica”, completou.

Ainda assim, ressalvou, a candidatura ao programa de fundos comunitários Life IP Climaz, que, “se tudo correr bem, e se for aprovada, permitirá um investimento na ordem dos 65 milhões de euros” durante dez anos, inclui um projeto de investigação “que se dedica a perceber como é que na agropecuária se pode reduzir as emissões, com algumas mudanças na alimentação dos animais”.

A outra vertente do programa engloba 64 medidas de prevenção e antecipação aos impactos das alterações climáticas na região, onde se tem vindo a verificar uma maior prevalência de seca nos últimos anos. Segundo aponta o IPMA, metade dos períodos de seca registados nos últimos 40 anos aconteceram na última década, o que demonstra um aumento da frequência destes episódios.

O plano prevê o alargamento da rede de monitorização do nível de massas de água superficiais às 23 lagoas dos Açores, já que, atualmente, apenas 15 são monitorizadas, e instalação de uma rede de monitorização automática quantitativa de massas de água subterrâneas.

Para evitar a sobre-exploração dos recursos em períodos de escassez, foi projetada a criação de reservatórios para armazenamento de água, ainda que a região tenha “um balanço hidrográfico bastante positivo”, frisou Marta Guerreiro.

“Consumimos, em média, nas ilhas 5% das nossas disponibilidades”, adiantou.

Ainda no campo da adaptação, está prevista a “disponibilização da cartografia de base de riscos naturais, que explore, no território, a exposição e a vulnerabilidade a cheias, inundações, movimentos de vertentes, emanações gasosas, por sermos uma região vulcânica, sendo esta informação integrada nos planos especiais e municipais de ordenamento do território”, explicou a governante.

O documento foi aprovado no parlamento açoriano por unanimidade, “como não podia deixar de ser”, considera a secretária.

“Temos a consciência de que, tal como foi referido, há imensos argumentos que defendem que a nossa atitude perante a sociedade tem de ser diferente, mas basta um para fazer com que todos nós pensemos de forma diferente. Está em causa a sobrevivência da humanidade, portanto, nada será mais forte que isso”, concluiu Marta Guerreiro.



Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
Consulte os termos e condições de utilização e a política de privacidade do site do Açoriano Oriental.